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Humildade, tenho muito pouco...

Enquanto estava dentro do ônibus me dirigindo ao trabalho, fechei os olhos e deixei o pensamento livre, naquele momento, sentia uma necessidade enorme de deixar o meu espírito vagar.  Ele vagou, até sentar-se em algo que me dava sensação de ser  uma poltrona macia. Sentia a maciez e uma espécie de conforto aconchegante, muito aconchegante. Estava com uma folha de papel branco no colo e brincava com um lápis azul, rodando-o entre os dedos. Então, comecei a rabiscar o papel, desenhei uma borbleta azul. Comecei a escrever logo abaixo do desenho:
Eu não sou tão humilde como eu penso ser, na realidade não somos muito humildes. Ou poucos são. Somos na realidade insubmissos. Muitas vezes, nas nossas necessidades vamos a Deus, mas damos a Ele as respostas prontas daquilo que queremos. Já ouvi mesmo pessoas dizendo, em oração, "eu não aceito isso." Mas Deus não é nosso servo, embora nos sirva. Ele é Senhor. E Ele conhece nosso coração além de nós e se Ele nos tira algo, certamente nos dá outra coisa ou nos ensina algo.
Na nossa vida aqui na Terra, temos que aprender e aceitar que as adversidades vão chegar sempre quando menos nós esperamos. Elas não se anunciam, como as grandes tempestades ou os vulcões, elas aparecem, simplesmente. Nos pegam de assalto, nos deixam muitas das vezes, estáticos, sem reação.
E nós que pensávamos que certas coisas só aconteciam com os outros, sem nunca refletir que somos os outros de outros! Estamos sim, debaixo do mesmo céu, sujeitos às mesmas ventanias, aos mesmos vendavais, somos tão vulneráveis quanto quaisquer outros seres humanos.
Mas devemos tentar lembrar sempre o que  aprendemos;  que vida é luta e por isso lutamos. É nesta luta , que devemos utilizar todas as armas que nos foram deixadas e que tiveram seus manejos ensinados pelo nosso mestre Jesus e por Ele colocadas à nossa disposição com a permissão de Deus.
Deus!!! Ah, sim... nos lembramos dEle com mais freqüência, somente na hora da batalha. Todas as pessoas não possuem essa habilidade de cada manhã e cada noite chegar aos pés dEle para agradecer pela saúde, pela felicidade, por que tudo vai bem. Mas quando o mundo cai na nossa cabeça é como se descobríssemos essa verdade irrefutável: Deus existe!
E com o coração dolorido e cansados, continuamos lutando, fazemos nossa parte, tentamos segurar a vida até que nos sentimos impotentes e nos dizemos que nada mais há a fazer. Seria preciso termos a paciência de Jó para esperarmos com a certeza que
dias melhores virão. Portanto, há ainda, com o sopro de vida, uma última esperança: a oração!
Quando achamos que perdemos tudo, podemos ainda dobrar os joelhos para chegarmos à presença de Deus. É difícil aceitar o sofrimento e a dor, mas a aceitação é o primeiro passo para melhor vivê-los, suportá-los e, quem sabe, vencê-los. Não somos assim
tão diferentes dos outros, não possuímos casas construídas sobre rochas e somos vulneráveis, precisamos reconhecer isso antes de tudo. Somos humanos. Humanos e dependentes dAquele que nos criou. Muitas vezes é necessário cairmos para que reconheçamos o quanto precisamos de uma mão; é preciso uma doença para aprendermos o valor da vida, para que saibamos o que significa união, como um balde de água fria na nossa cabeça que nos acorda e nos deixa mais atentos. Olhamos mais à nossa volta, percebemos que nossos sentimentos são mais sólidos e visíveis do que pensávamos, despertamos, talvez, para pessoas que estavam perfeitamente
invisíveis aos nossos olhos. A dor une muito mais que a felicidade, porque as pessoas procuram apoiar e se apoiar. E ela nos abre os olhos para Deus.
Não... não está tudo perdido! Mas nem sempre a solução é a que esperamos ou desejamos. É preciso que, com joelhos no chão e coração aberto possamos estar prontos para receber, não o que merecemos, mas o que precisamos, que seja a cura, a vida ou a consolação. Jesus aceitou a cruz porque sabia que seria vitorioso. E que, hoje, possamos aprender com Ele a aceitar nossos fardos, não como castigos, mas como lições de vida, dessas que vamos descobrindo devagarinho, que doem, mas que nos levam adiante, sempre vitoriosos, porque sabemos que não carregamos sozinhos.

Espírito Livre
Enviado por Espírito Livre em 18/07/2006
Código do texto: T196498
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Sobre o autor
Espírito Livre
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil, 66 anos
9 textos (517 leituras)
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