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MENTES DE ÁCIDO NO HOSPITAL

A ilusão transita sorrateiramente onde jamais poderia entrar, as merdas jogadas me fazem querem um parque de flores.
Sou infantil a ponto de me derramar de amor, de querer um perdão, de chorar e dormir. Sonho com você mesmo a distância. Vejo sua recuperação plena... vejo nuvens brancas. Posso ficar carregada e invadir sua mente sem querer, posso disparar uma metralhadora de letras que se formam e juntam o que quer ver e esquecer...
Te procurei, te esperei e me vejo em uma cama de hospital...
Minha mente doente mente, se enfraquece, não quer mais esse mundo...
Mentes de ácidos... aos 23 anos, 23 segundos, 23 dias...
Estou no corredor correndo em enlaces imperfeitos, minhas pernas pedem um tombo magistral. Quero cair, caio...
Minha visão apagou o chão sujo, minha mente mente que estou vendo você num altar me estendendo a mão...
(Com flores na mão venha me buscar para viver, meu corpo se elevará e meus pensamentos ficarão em forma de poesia, pois é o que resta do dia)
Mentes de ácido jovem, velho, recém-nascido, recém postulado, ingrato, querido, meu amante
Mente, ácido
Se fosse pelo bem te serviria uma xícara de chá
O hospital está gelado, silencioso, estou presa em fitas, meus braços estão amarrados, minha família não vem me buscar... quem vem me buscar nessa busca?
Sinto uma picada, anfetamina? Querem que eu dance agora, dance feito louca para os loucos que moram ao lado, querem que eu fale sem parar...
Sinto uma picada, morfina? Querem que eu aposente minha mente que mente essa dor!!! Eu minto enquanto existo para me sentir viva!!!!!!!
VIVA!!!!
Mentes de ácido... minha mente anda flutuando nesse corredor. Pego o elevador...
Enquanto sou ofensiva, estou na defensiva... Talvez essas mentes de ácido me mostrem que posso gostar de diluir e nada construir
Tenho medo do amar o oposto, o estranho, o fétido, o preto, a merda, o mal
Mente que mente...
Você não viu que eu gostei do errado?
Ai!! Uma anestesia agora!!!
Estou sozinha. Um teto branco me acompanha enquanto deslizo pelas lâmpadas...
Sinto falta de você que nunca tive, sinto falta de tudo que vem de você...
Brincos... Colares... Coroas... Castelos... Mentiras... Verdades... Jogadas... Idade Média???
Hum... minha mente desmente como um neurotransmissor.
Atravesso andares, mobilias, estou em transe.
Quero sentir, estou mentindo mais uma vez em dizer que fui, apenas fui...
Estão me rasgando, me cortando, me despedaçando, você quer uma parte de mim?
Mentes de ácido... te envio por sedex meu coração... recebe antes das 10...
Essa noite de unhas pintadas, essa noite de cerveja morna, pode ser pior...
Volto para o chá!!! Esse hospital está demais para minhas partes... o meu sangue pinta o branco e desenha, frio, seu nome
Mentes de ácido... mente que mente e depois desmente o que sente, o que copiosamente e sinceramente insiste em dizer
Teu nome...


***

As visitas podem existir, mas tragam as xícaras

***

Minhas partes estão etiquetadas, estão na liquidação do laboratório

***

Última chamada...

***

Meu coração já está na caixinha amarela do correio, está sendo enviada com destinatário impróprio

***

A cirurgia foi um sucesso!!! As partes foram bem cortadas e espalhadas!!!

***

Chamem a enfermeira!!! Rápido!!! Tem moscas aqui...

FLORA DO AR
Enviado por FLORA DO AR em 19/07/2006
Código do texto: T197256
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Sobre a autora
FLORA DO AR
Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Brasil, 33 anos
21 textos (1009 leituras)
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FLORA DO AR