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AS BATATAS JÁ FORAM ASSADAS

Você acha que não consegue pensar nem sentir depois de um dia tumultuado...

O estranho não quer pensar em nada, só descansar e tomar um vinho do porto em copo de polpa de tomate. Acha que está bem. O estranho não sabe que antes de chegar a casa alguém colocou suas batas a assarem.
Então, depois de um dia cheio, e de muitas conversas furadas, o estranho penetra na sua própria casa como um espião.
Analisa tudo minuciosamente procurando alguma prova que o incriminasse contra a sua mente que mente.
Limpa todos os vestígios que haviam restado.
Vai para o quarto, tira sua roupa e caminha nu até o banheiro. A água está gelada e ele leva um choque.
Morre?
Não...
Ele estava tão bêbado que não sentiu nada.
Ultimamente o estranho vai trabalhar bêbado.
Volta para o quarto pingando pela casa inteira como dizem todas as mulheres, e cai no seu colchão furado.
No seu delírio embriagado pode ver flores, cores, fantasias chatas.

***
Ontem me embriaguei sozinha, era uma estranha.
Escrevi como sempre a validade da minha inspiração, da pregação

***
O estranho relutando em vestir a roupa encontra uma camiseta dos Stones
Sente algo de diferente em sua narina que escorre
As batatas já tinham sido assadas e colocadas em uma coisa velha, o fogão estava sujo ainda.

***
Deixei tudo para trás, mas trago comigo a existência de uma angústia rouca.
Minha mãe lembrou a frase de um poeta: “Saia do caminho com seu sorriso que eu quero passar com minha dor”

***
O homem o qual olhava as batatas sedutoramente esmagou todas, e misturou algo que havia em outra panela. Longe de um raciocínio lógico, amou aquelas batatas. Sem discernir de uma verdade e realidade, ele estava entregue e apodrecido diante a cena pobre de meia luz.

***
Eu vejo através do espelho, através de construções. Fui pintar ontem corpos que se completavam e pintei meu quarto. Enquanto isso um corpo passava....

***
O estranho vai deitar de cansaço. Vai alimentar horas tranqüilas agora...

FLORA DO AR
Enviado por FLORA DO AR em 19/07/2006
Código do texto: T197274
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Sobre a autora
FLORA DO AR
Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Brasil, 33 anos
21 textos (1009 leituras)
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FLORA DO AR