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FALHA DE COMUNICAÇÃO

Já falei a respeito de Salim Said Mustafah que saiu da Síria e, no final dos anos 50, estabeleceu-se no Estado do Amazonas. Em 2001, cinqüenta anos depois, nosso herói já tinha amplo e imponente prédio na região portuária; o comércio e o depósito ocupavam o térreo e Salim morava confortavelmente com a família no segundo andar.
Em 1980 no auge de seus negócios, Salim decidiu que era hora de comprar um carro. Econômico e prático que era, Salim optou por um furgão Chrysler importado dos Estados Unidos. Este furgão não tinha nenhum acessório, bem como nenhum conforto. À guisa de economizar Salim comprou o carro pelado; equipado simplesmente com os assentos dianteiros e, o lugar onde teria vidros, era ocupado com chapas de aço: um carro de serviço.
Said Salim Mustafah, único filho do velho turco, estava passando férias em casa e saiu com seu pai para visitar um patrício em bairro periférico. A direção daquele furgão lhe foi confiada, e lá se foram os dois. Salim Said orgulhoso de estar com seu rebento circulando pela cidade em seu mais recente sonho de consumo realizado. Said estranhava muito o carro que tinha às mãos; a visibilidade tomada pelas janelas fechadas com aço fazia com que a parte traseira fosse controlada única e exclusivamente pelos retrovisores laterais.
Ao chegarem na casa do primo, já de noite, Said pediu ao pai que descesse e o orientasse nas manobras, pois teria dificuldades ao pilotar em marcha ré:
- Pai, me ajude. Fique aí atrás controlando. Se sentir que tem algum obstáculo, me avise.
O velho turco apeou e passou a orientar seu filho:
- Bode vim..., mais bra esquerda.... Olha a bosta!
Said, ouvindo a última frase do pai, pensou: "Deve ter cocô de algum animal no caminho e papai não quer sujar os pneus do carro novo. Dane-se a bosta... Importante é que eu estacione em segurança..." Assim, continuou em marcha à ré. De repente um forte barulho vindo da parte traseira do veículo foi sentido e a van parou abruptamente. O jovem rapaz teve a certeza de que tinha batido em algo. Ouviu, ainda, pouco antes, o grito desesperado de seu pai:
- Olha a bosta, meu filha!
Said só entendeu a mensagem quando viu que tinha atingido um poste e ouviu seu pai lastimando, quase aos prantos:
- ...Bosta elétrica, meu filha!!!

(Texto publicado no jornal Brasil Norte (RR) e no sítio www.fontebrasil.com.br (DF)

e-mail: zepinheiro1@ibest.com.br
Aroldo Pinheiro
Enviado por Aroldo Pinheiro em 24/07/2006
Código do texto: T200815
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Sobre o autor
Aroldo Pinheiro
Boa Vista - Roraima - Brasil, 62 anos
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