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Nós nos autorizamos aos saberes do Jardim da Infância!

Direito Autoral provoca uma discussão muito boa se refletirmos seus aspectos em diferentes situações.
Direito Autoral de Deus é escrever Seu Nome na humanidade através das assinaturas dos homens, portanto, Sua obra será boa, se o resultado valer a pena.
Direito Autoral de autor é resguardar e garantir sua forma de expressão.
Direito autoral de grupo é conseguir vencer o desafio de democratizar suas idéias, transformando-as numa ação coletiva a favor de um produto que precisa ser difundido, sem se importar muito com os nomes de quem assina, mas se importando bastante com os nomes de quem utiliza.
Direito Autoral violado - aquele que nos pega de surpresa quando alguém diz ser sua, uma idéia nossa.
O mais interessante no que se refere a patentes e direitos autorais é que o sujeito se previne tanto, sofre tanto para deixar partir a obra, que se esquece, minimamente - o foco de quem cria é de domínio público!
O verbo – predicado, portanto, deveria enfatizar mais o ser do que o ter, o estar do que o permanecer, o entregar do que o reter.
Ao autor cabe lembrar que tudo o que produz é fruto de suas potencialidades, de seu conhecimento, e que, portanto, seria um enorme desperdício se fosse ele, um reducionista de suas idéias, diminuindo, assim, a chance daquilo se tornar parte do mundo.
Lidam bem com direitos autorais as pessoas que se relacionam bem com o desapego.
Esse tema em questão, não à toa, sempre presente nas rodas de conversas e discussões, retrata um inconsciente coletivo onde questões como individualidade, poder e detenção, denunciam um EU ainda exacerbado.
Quando nós nos autorizamos autores, seja lá do que for, somos pegos por uma necessidade urgente de amadurecer, posto que, lidamos com a necessidade emergente de libertar a criação.
Quem sabe assim, e só assim, estejamos capacitados à generosidade e ao compromisso implícito de quem tem a humildade de se saber inventor ou inovador de alguma coisa.
O mais essencial é sabermos que estamos ligados a um contexto onde tudo o que é mais importante na vida poderíamos ter aprendido no Jardim de Infância, como mostra um tal e sábio autor que não conheço,
quando um texto seu chegou em minhas mãos.
Engraçado, ele não teve a preocupação de assinar seu nome, mas o que escreveu ganhou o mundo ao novo olhar de quem pôde perceber.

“Tudo o que eu preciso saber sobre a vida, o que fazer e como ser, eu aprendi no Jardim de Infância.
Vejo que a sabedoria não está no topo da montanha de conhecimento, a faculdade, mas sim, no alto do monte de areia do Jardim de Infância.
Essas são algumas coisas que eu aprendi: dividir tudo; ser justo; não machucar ninguém; colocar as coisas de volta no lugar onde as achei; arrumar minha própria bagunça; nunca pegar o que não é meu; pedir desculpas sempre que magoar alguém; lavar as mãos antes das refeições, dar descarga e saber do que faz bem a minha saúde...
Enfim, viver uma vida balanceada, aprender um pouco, pensar um pouco, desenhar um pouco, pintar um pouco, cantar um pouco, dançar um pouco e trabalhar um pouco, todos os dias.
Quando sair na rua: olhar os carros, dar as mãos e ficar junto!
Lembrar daquela sementinha de feijão no potinho. As raízes crescem para baixo e as folhas para cima, e ninguém sabe, com certeza, como, ou porquê, mas todos nós somos exatamente como ela. Pássaros, gatos e cachorros e até mesmo a sementinha de feijão no potinho – todos morrem – assim como nós.
E então me lembro dos livros de Chapeuzinho Vermelho e das primeiras palavras que aprendi: Mamãe e Papai.
Tudo o que preciso saber está em mim, em algum lugar.
Regras e conceitos de vida, amor, saneamento básico, ecologia, política, igualdade e fraternidade. Pegando qualquer um desses termos, extrapolando para sofisticadas palavras da linguagem adulta e aplicando na vida familiar, no trabalho, no governo ou no mundo, tudo continua firme e verdadeiro.
Penso como seria melhor se todos nós – o mundo inteiro – todos os governos, tivessem como política básica colocar sempre as coisas de volta no lugar, arrumar suas bagunças, só usar o que é seu...
E continua verdade, não importa qual o tempo: quando sair para o mundo, dê as mãos e fique junto!”

Direito é autoral, singular e plural, autoria é direito de compartilhar naturalmente, tirando tudo de letra, como se tira uma música.
Márcia Beatriz Prema
Enviado por Márcia Beatriz Prema em 25/07/2006
Reeditado em 08/08/2006
Código do texto: T201517

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Sobre a autora
Márcia Beatriz Prema
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil
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Márcia Beatriz Prema