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Maldita Net ( hehe)

- Será que passa um filme bom hoje na TV?
 - Tá louca mulher, hoje tem jogo do Corintians!!
   No micro a cirando rolava solta, poesias e muita conversa.
Vez por outra, vinha um palavrão lá do quarto, até que tudo se aquietou.
 
Lá pelas tantas foi até o quarto e perguntou:
 - Acabou o jogo? Começou algum filme?
 - E tu acha que vou deixar de ver a gostosona da Ana Paula no programa do Galvão?
  Ela voltou pro micro e entrou na brincadeira que rolava na sua lista predileta
 e não dava pra conter o riso com tanta palhaçada.Vez por outra ele passava por ela pra ir na cozinha buscar uma latinha de cerveja e com um olhar de censura comentava:
  - Tu não se cansa dessa porcaria não? Tá viciada mesmo, heim!
Ela já nem respondia mais, ouvia todo dia a mesma coisa, continuou a rir, brincar e poetar, e assim foi até entrar pela madrugada.
   Desligou o micro com um sorriso ainda nos lábios, foi até a cozinha e  bebericou um copo de leite frio mesmo, àquela hora o cansaço nem deixava pensar em ferver, embora quentinho até pudesse despertar o sono que tinha ido embora.
   Escovou os dentes enquanto olhava-se no espelho, algumas rugas já lhe marcavam as feições, mas ainda tinha uma boa aparência, ainda dava um bom caldo, hehe
   Quando entrou no quarto, repetia pela milionésima vez o último jogo de voley na TV e o maridão dormia profundamente agarrado ao controle remoto; como sempre. Tirou a roupa toda, fazia um calor medonho, deitou-se bem devagarinho e com muito cuidado tentou apanhar o controle remoto, foi vencida pela mão adormecida que o segurou firmente. Bom, era melhor esperar mais um pouquinho pra mudar de canal e ver um filminho enquanto o sono não chegava, sentou-se na cama e fez as orações; como de costume.
  O ventilador estava muito forte, levantou-se abaixou um pouco a rotação e tentou novamente o controle, dessa vez ouviu: Pô, não vê que tô assistindo?
  Tentou dormir, virou pra lá e pra cá, e nada do sono chegar, estava muito acesa para dormir; bom seria assistir um filme bem apimentado, ou um desses filmes românticos bem melosos, mas estava tão cansada pra levantar de novo e ficar mudando de canal até encontrar um que valesse a pena. Olhou pro homem que dormia ao seu lado, ele rocava alto, e o velho e conhecido cheiro de cerveja inundava o quarto. Porque não tentar de novo bem devagarinho o controle?
  Encostou sua pele nua no corpo dele na esperança de que ele reagisse e largasse o bendito controle; nada. Virou o corpo e propositalmente esfregou-o contra o corpo quase "morto" do maridão...nada...passeou a mão pelo dorso dele, ele fez menção de se eriçar, ela continuou com a mão deslizando até chegar no controle de novo, delicadamente acariciou a mão dele esperando que soltasse o maldito controle, mas a mão dele apertou firme o controle e ele virou de  lado resmungando:
 Que saco meu! Vá pra aquela merda e me deixa assistir a TV em paz!...e continuou roncando...ela virou pro outro lado e dormiu.
Angélica Teresa Almstadter
Enviado por Angélica Teresa Almstadter em 27/05/2005
Código do texto: T20158

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Sobre a autora
Angélica Teresa Almstadter
Campinas - São Paulo - Brasil, 62 anos
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1 e-livros (247 leituras)
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Angélica Teresa Almstadter