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Seria um furação?




Penso que todos nós conhecemos alguém em nosso convívio, que seja um tanto estabanado, meio atrapalhado, ou digamos...um tanto desligado!
Quem não possui um amigo, ou amiga com este jeitinho! Pessoas que nos dão a sensação que, após conviver com elas, nunca mais seremos os mesmos...
Pois muito bem, como todo mundo, conheci uma garota, que possuía mais ou menos esse perfil. Uma garota bonita, loira, cabelos longos, um porte vistoso, muito bonita. Trabalhava em uma agência bancária, no interior de Minas. Era de uma personalidade cativante, que encantava a todos que com ela conviviam...
Sempre que estávamos juntas, ela se queixava de sua falta de jeito, e contava algumas passagens, confesso, um tanto preocupante, mas sempre a confortava dizendo que era natural, que coisas assim aconteciam para todo mundo...
Contava ela que às vezes, quando transitava pela agência, ia batendo as pernas no mobiliário, por vezes escorregava, e para não cair, apoiava-se com agilidade no balcão de atendimento, o que lhe salvava de um belo tombo, no entanto acabava esparramando toda a papelada que por ventura ali estivesse.
A escada que a conduzia à gerência, era para ela uma provação, pois já havia despencado de lá, por três vezes, em pleno horário de atendimento.
Assim, desabafava e comentava que o próprio gerente já havia lhe vendido um seguro de vida substancial!
Penalizada com sua situação e ainda consolando-a quanto à “normalidade" desta característica, tentava convencê-la que isso com o tempo melhoraria, que por certo acontecia com mais freqüência, por estar ela iniciando um trabalho novo. Era uma desculpa como outra qualquer, bem o sabia, pois minha amiga já estava há quase um ano nesta agência, mas enfim...
Certo dia tive a oportunidade de visitá-la no trabalho. Estava de férias e resolvi passar por lá.
Entrando no banco e aproveitando um momento em que se distraiu, me dirigi até sua mesa. Quando parou de fazer o que estava fazendo, encontrou-me sentada a sua frente.
Claro que houve toda uma cena da mais absoluta surpresa e alegria, pois era raro que nos víssemos, e inusitada minha presença em seu trabalho.
Ficamos por um tempo conversando e fazendo planos para a noite, já antevendo horas de descontração. Nisto, ela é solicitada pelo gerente que me pareceu estar um tanto apressado. De imediato, nos despedimos e observei que ela juntou a documentação que iria precisar para a atividade em questão.
Dirigi-me a porta de saída, mas antes que pudesse alcançá-la, fui surpreendida por um barulho seco e alto, que toda a agência ouviu, e por ser pequena, todos pararam e silenciaram, numa atitude de espanto e curiosidade.
Neste instante, voltei-me para o local de onde veio o tremendo barulho, e vi minha amiga com o olhar assustado e a expressão indignada olhando para traz e indagando com certa contrariedade, mas sem dirigir-se a ninguém em particular.
-Mas o que é isso? Não é possível!
Todos se voltam para o chão, onde estava o culpado de tamanha sonoridade.
O pobre do telefone! Literalmente esparramado ao chão.
Como se tivéssemos ensaiado, todos nós acompanhamos o fio do dito cujo, tentando compreender o percurso que o mesmo havia feito, para se deslocar de tal maneira.
A extremidade do fio que se ligava ao telefone encontrava-se presa junto ao calhamaço de papéis que minha amiga carregava!



Priscila de Loureiro Coelho
Consultora de Desenvolvimento de Pessoas
Priscila de Loureiro Coelho
Enviado por Priscila de Loureiro Coelho em 20/01/2005
Código do texto: T2028
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Sobre a autora
Priscila de Loureiro Coelho
Jacareí - São Paulo - Brasil, 65 anos
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Priscila de Loureiro Coelho