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Crônica da teoria do neutro

No cume do meu corpo, há um forno com uma chaminé, e o fogo está alto, por isso decidi lançar o esboço de uma teoria, que comecei a pensar depois que fui agredido sem motivos por um grupo de “funkeiros”, que creio, são desprovidos de várias coisas.

A teoria:
A criança nasce neutra, nem má nem boa, então tudo ao seu arredor influenciará no seu crescimento, por tanto a culpa dos criminosos, não são somente deles certo?

A crônica:
As dores do parto anunciam mais um ao mundo, ele (recém nascido), não sabe o que é certo e o que é errado, não sabe o que é bom e o que é ruim, nem sabe seu nome e muito menos que tem família. Podemos dizer que, de certa maneira ele ainda é neutro. Sendo neutro, não pode ser mau ou bom. Tudo ao seu redor influenciará, desde de um abraço da mãe, até um tom de voz ouvido. É aí que começa a se formar uma mente. Quando uma criança que tem peito, mas não tem carinho da mãe, tem escola, mas não tem estudo, tem comida, mas não tem apetite para comer o fubá suado todo dia, tem mãe e pai, mas não tem apoio, tem pés, mas não tem o tênis, nem o dinheiro para comprar o tênis que o garoto do colégio particular tem, não tem o videogame e não tem como pagar uma hora para jogar no bar onde várias crianças se divertem com o jogo, ele sabe que dói, mas não ensinaram que agredir é errado, sabe que é desonesto, mas não tem esperança em ter dinheiro para comprar o produto roubado. Acaba que uma criança que sabe isto tudo, vê e senti o mesmo tudo sendo resolvido de maneiras erradas, fica “mau” aos olhos da sociedade.
No domingo 23/07/06, eu estava com um grupo de amigos e ouvi uma gritaria fora do normal, ainda mais por ser uma pacata cidade, os gritos iam ficando mais perto, e nosso grupo sentado na escada já previa que os próximos minutos  não seriam bons, devido a reconhecermos de quem eram os gritos. Começaram a passar por nós, no momento, passava uma senhora que trabalhava na lanchonete ao lado, enquanto ela trabalhava era xingada pelos “funkeiros” de puta, nojenta, etc... Era agredida verbalmente e quase fisicamente, quando nos viram, começaram a nos agredir da mesma forma, até aí tudo normal, foi então que começaram a lançar objetos contra nós, eram coquinhos, e talvez algumas pedras, a maioria do nosso grupo de sete pessoas se intimidou e até pensou em correr, com razão, mas a maioria disse: é só não se importar que eles vão embora. Um dos coquinhos me acertou na cabeça. Eu vi entre os vinte, a cara do rapaz que me acertou, ele ria, mas eu não via alegria em seu rosto, via apenas desespero, angústia, desesperança. Todos ali eram de um bairro esquecido pelas autoridades e mal falado pelo resto da cidade. Muitos dizem, já vem os “fdp” do mascaranha, mas não, não são filhos da puta, são apenas jovens desprovidos de carga positiva, nasceram neutros, não tem total culpa, eu tenho parte da culpa, você tem, por não conseguir nem ter tentado até hoje, compartilhar cargas positivas com eles...
Hum... Aliás, nem nós temos culpa, fomos criados assim.
Enzo Pinho
Enviado por Enzo Pinho em 29/07/2006
Código do texto: T204532
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Sobre o autor
Enzo Pinho
Nova Era - Minas Gerais - Brasil, 31 anos
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Enzo Pinho