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Primeirinha

Sabe aqueles caras que andam pequenos na faixa da direita, arrepiando cabelo? Que não sabem o que são e dizem ser grandes máquinas, voando e voandando baixinho? Dos pequenininhos mesmo grandes, tipo fusca? Sempre fui assim. Primeirinha, sem apertar, evitando o red-line, reduzindo nas curvas sem cuidado, sem breque, na doida. Tenho medo, fazer o quê na maior coragem?
Nunca me meti em aventuras transviadas, em faixa sem estrada. Mesmo quando dava para o tordo tinha que ser o mais direito que dava, entortando tudo na maluca, certinho... Era pequeno, fazer o quê? Tinha medo.
Se fosse pra ser grande era.... hummmm... não sei... fusca na mesma, mas dos grandes, apertando nas curvas evitando o red-line. É que nem sempre nunca tive dessa coragem. Hás vezes dava nequela, meio grogue, sou grande, dando o gás.. Um grande fusca, cheio de adrenalina, buuuuuuuuuu.... Fazer o quê. Metia a primeira e era assim, red-line, buuuuu, primeirinha, buuuuuuuuuuu, sempre.
A única vez em que me meti à opala, opalão mesmo, quatro portas, bandido, quatro mil, tropecei no meio-fio e cai de costas, quatro rodas no vento, capô de lado todo amassado e ela de mini-saia, saloia, na porta do bar... chopinho?! Topo! Na porta do bar, Vem sempre aqui? Moras no bairro? Qual é teu clube? Li numa música, na letra, funciona?! Capotado. Não pega, falta bateria, desculpa, tem cabo pra chupeta? Capotadásso de rodas pro vento sem bateria nem juiso, só coragem... Dá uma ajudinha pra empurrar? Chopinho!
Você é legal, qual o teu nome? Nuno. Enrola um pra gente, Nuuuuuuno, Todo enrolado no ouvido, Você é que é muito do bastante, Fusquinha, Pra gente, passa, Mini-saia rodada, todo enrolado, era opala, juro, opalão verdão, quatro portas, quatro mil de cilindrada, malandro... Saí fusquinha de novo, buuuuuuuu, apertando a primeirinha pra durar, E você, qual é teu nome? Não precisa nome, é só me chamar, venho na primeira.. Na primeirinha. No banco de trás, violão, Toca pra mim, Não sei cantar, Canta pra mim, no banco de trás do meu fusquinha. Buuuuuuu. Fazer o que? tinha medo! Era opalão...
Dessa vez fui pra sempre, de vez. Esticando todas até o que dava, cavalo-de-pau rodopiando nas curvas dela do meu lado, tocando nela o que não cantava, cantando todos os pneus no red-line, na doida, mini-saia perguntando meu nome. No toca-fita a gente ouve um red red wine até hoje, UB40, pra lembrar que já tentei cantar e arrepiei... Já não banco o opalão no banco de trás, mas tô sempre esticando, curtinho, enrolando enrolado nas curvas que são ela, buuuuuuuuuuuuuuuuuu... primeirinha exagerado... sempre nela... Sempre...
Fazer o quê? perdi o medo...
Buuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu.......



(to my true brother.... short like him.... buuuuuuuuuummm)
Antonio Antunes
Enviado por Antonio Antunes em 29/07/2006
Código do texto: T204590
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Sobre o autor
Antonio Antunes
Reino Unido, 41 anos
41 textos (868 leituras)
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Antonio Antunes