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Big-Brotherização

Invasão de privacidade. Pessoas que cuidam da vida alheia. Fofoqueiros de todos os gêneros. Câmeras por todos os lados (sorria, você está sendo filmado!!!). Pessoas se intrometendo em nossas vidas, dando palpites, conselhos, opiniões e lições de moral. Não, não é o Big Brother. É nossa vida cotidiana.

Programas de TV, revistas, jornais e a mídia em geral, querem nos dizer o que fazer. O que devo comer, o que devo vestir, o que devo assistir, o que devo ouvir, o que devo sonhar, etc, etc, etc, como se eu devesse algo para alguém. Aliás, joguei minha TV pela janela, e o jornal coloquei na gaiola dos passarinhos.

Câmeras. Em todo lugar há uma câmera. Até nos elevadores. Se eu encontrar uma gostosa que dê bola para mim, não poderei nem dar amassos com ela, pois vai haver sempre alguém olhando. Quando vamos a alguma loja, já somos chamados de bandidos, antes mesmo de entrarmos. Sempre há uma câmera vigiando-nos. Eu às vezes mostro o dedo do meio para câmera. Eles não podem fazer nada. Sou cliente, e o cliente tem sempre razão. Aliás, além de me chamarem de assaltante, nunca me pagaram direitos de imagem, como acontece com os jogadores de futebol.

Esses dias uma moça me ligou. Queria me vender um cartão de crédito. Para isso tinha que saber meus rendimentos. Respondi que não estava interessado na aquisição. Ela, como é peculiar na profissão de um vendedor, insistiu, informou as “vantagens” que eu eventualmente teria, e perguntou novamente: “qual sua renda mensal?”. Se ela soubesse o quão pouco.....rss....Fui cordial, e respondi que não diria, uma vez que não estava interessado no cartão. Da próxima vez, responderei com uma pergunta: “qual foi a última vez que você deu o rabo?”. Que mulher entrona!!!!

Cigarro. Faz mal à saúde. Dá câncer. Mas se você quer fumar, o problema é seu, pois o pulmão é seu e o dinheiro também é seu. Se você fumar quietinho no seu canto, ninguém tem nada a ver com isso. As pessoas só podem reclamar que você fuma, se você soltar fumaça na cara delas. Caso contrário, é novamente o fenômeno da big-brotherização, enfiar o bico onde não é chamado. Há estudos que comprovam que quando passava a propaganda “o ministério da saúde adverte: fumar é prejudicial à saúde”, milhões de pessoas acendiam um cigarro (até porque o Ministério da Saúde nunca deu a mínima para ninguém mesmo). Se você quer ajudar seu amigo fumante, não lhe diga para parar de fumar. Isso só fará ele lembrar do cigarro e ficar com vontade de fumar.

No caso de bebida, é a mesma coisa. Só não beba se for dirigir. Caso contrário, pode fazê-lo até ficar em estado de “coma-alcoólico”, e precisar tomar injeção de glicose na veia, em um pronto-socorro qualquer. Há uma daquelas sábias “frases do dia” que recebemos por e-mail (não aqueles intermináveis e-mails de power-point!!!Aghr) que diz: “se for dirigir, não beba. Se for beber, me chama”. Se for mulher então, não precisa nem me convidar, que eu já vou. Será mais fácil levá-la para cama (me desculpem as mulheres, pois nesta eu fui grosseiro, mas foi o que veio em minha cabeça, e não posso fazer nada).

Bem, há outras inúmeras situações em que pessoas tentam invadir nossas vidas. Mas vou parar por aqui. Finalizando, minha vida é 100% minha. Minha vida não tem paredão, prova de anjo ou de líder. Não me pagarão 1 milhão por bisbilhotarem minha vida. Se você é meu amigo ou familiar, ou seja, pessoas que amo, tem a liberdade de me dizer o que quiser, me elogiar, dar opiniões, palpites e até me criticar. Caso contrário, não. Você leitor, pode fazer o mesmo com este texto, pois esta é a finalidade de publicá-lo. Quanto a minha vida, ela é guiada por Deus, por meu coração e por minha alma. Meu caminho é cada passo que dou. Meu destino é o segundo seguinte. O meu horóscopo é tão importante, que está no jornal imerso por excrementos de passarinhos. Minhas ações são como um barco à deriva. O que farei no próximo instante, entrego ao acaso. Vou fazer o que me der na telha. Meu limite é o direito do outro, apenas esse, pois nosso direito acaba quando o do outro começa. A areia da ampulheta da vida escorre muito rápido, e não perderei meus preciosos grãos vivendo a vida dos outros. E como diz um amigo meu: “Você tem 24 horas para cuidar da sua vida. Pare de fazer hora extra na minha!”. Ou uma frase de outro amigo: “quer cuidar de minha vida? Vou te dar um gatinho então; ele tem 7 vidas para você cuidar”.

Obs: Odeio Big Brother. Nada contra quem gosta, pois gosto não se discute. As referências que fiz aqui em relação ao programa foram obtidas ao almoçar/tomar café com pessoas que, na época em que o programa passa na TV, só falam deste assunto. Parece que o mundo pára! Por isso, na época em que passar o programa novamente, publicarei uma crônica chamada “EU, O SEM ASSUNTO”, já que não tenho assunto quando este programa vai ao ar. Direi que vai começar o Big Brother 6 e que quando eu tiver 80 anos, pelos meus cálculos, vai passar o Big Brother 61, e ainda assim continuarei sem o que dizer durante um café da manhã.

IS: Coincidência ou não, hoje (01/08/2006) vi uma reportagem sobre câmeras que foram instaladas no centro de São Paulo. Desisto. Desde que não hajam em meu banheiro tá bom...

ilsanches@gmail.com
Ivan Sanches
Enviado por Ivan Sanches em 29/07/2006
Reeditado em 01/08/2006
Código do texto: T204713

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Sobre o autor
Ivan Sanches
Santo André - São Paulo - Brasil, 34 anos
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