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Descansou Rosinha?

Rosa Pena


Saindo para descansar.
Feriado na quinta, maridão resolve ir para casa que temos na região dos lagos.

 Bem... quem tá acostumado já sabe como é!
Saio amanhã, crente que tô abafando e já começo desde hoje a juntar tudo que tenho que levar: carne e outros mais para o bendito churrasco, palito, mostarda, calcinha, cd, leite e todos os derivados... e... sei lá! Amanhã, cedinho, acordo e depois de levar cinco horas tentando pôr tudo no carro, e ainda tentar entrar nele... Lá vamos nós... “É nois na fita”.


Pego um engarrafamento de umas quatro horas, onde me empanturro de comer biscoito de polvilho com coca. Ouço minha filha perguntar cinqüenta vezes se vai demorar. Eu, com uma puta de uma vontade de fazer xixi... (sempre que viajo tenho vontade!), finalmente chego lá.


Encontro a casa sempre com cheiro de mofo, pois o caseiro acha que o termo “caseiro” significa “morar na minha casa”. Começa, aí, a segunda parte do meu doce descanso!
Arrumo tudo e finalmente vou parar, mas já é noite; praia e piscina já eram... e meu marido já tá troncho de cerveja.


Tomo um banho e vou ver TV. Droga, não pega direito! Mando o Vanil, meu caseiro, subir no telhado para ajeitar a antena e fico gritando da janela: “mais pra esquerda... pára agora... não! vira!...bota bombril". Minha filha aparece com uns dez adolescentes de vinte e tantos anos, esfomeados, que liquidam com meus víveres do fim de semana.


Sexta, de novo, não vou à praia. Vou ao supermercado repor tudo que levei. Quando chego suada, de novo, o maridão calibrado! Feliz da vida. E se repete a cena dos amiguinhos me chamando de tia, e eu louca para dizer que não sou tia deles, pois seus pais não são meus irmãos... tá!!! Rezo para o dia acabar.
Chega sábado, estou liquidada. Entalada de ver carne, os pés doendo de tanto ir da cozinha para varanda.

Piscina... nem vi!


Domingo... hora de voltar... Guardo a tralha toda. Pego mais seis horas de engarrafamento, mais incontinência urinária coletiva e chego aqui. Ainda tenho que pôr na geladeira os restinhos que sempre sobram e que depois vão para o lixo. Ninguém come aquele restinho de queijo, aquela picanha esturricada. Separo a roupa suja. Olho pro meu marido e ele diz: — Viu como foi bom você ter ficado longe do micro? Descansou!


“É, dona Jura... Né brinquedo não!”


2003
PreTextos/rosapena
Rosa Pena
Enviado por Rosa Pena em 29/05/2005
Reeditado em 01/10/2008
Código do texto: T20496
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
Rosa Pena
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil
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