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DIÁLOGO - DESABAFO

O Homem é uma criatura estranha, tem o dom da palavra, mas, comporta-se por vezes, de forma equivocada: silencia quando é preciso um diálogo, e fala, nem sempre, de forma justa, todas as coisas que pensa a respeito de uma pessoa ou de uma causa, quando seria importante nesta hora, parar para ouvir e ser ouvido. Dessa forma, passa, sem querer, por cima de regras, valores, contatos, contratos, acordos, e, tira conclusões precipitadas sobre a parte alheia. Vivemos tanto a dizer que não devemos julgar, que nosso papel no mundo é a compreensão pacificadora e espiritual, mas, infelizmente, se algo ocorre, minimamente diferente do que pensávamos, esperávamos ou desejávamos, o outro, pensando nele e nos seus objetivos, acaba por magoar e atropelar a outra parte, sinceramente, muitas vezes, absolutamente bem intencionada.
E por que não houve diálogo, os julgamentos e as interpretações afloram, o que é lamentável. Como é chato ser magoado por alguém que tirou conclusões a seu respeito, de suas atividades e de suas possíveis reações, sem, sequer, haver uma conversa. Toma atitudes deliberadas, cria novas regras, passa por cima de outras pessoas, e, na maioria das vezes, ainda se sente repleto de razão, não por mal, mas, porque considerou sua forma-pensamento, como absoluta. Não pára para discutir a lapidação necessária ao que é preciso fazer, e ainda, justifica aquilo que considera erro do outro, como falta de equilíbrio espiritual ou emocional.
Penso que todos os nossos projetos de vida, precisam ser revistos em algum momento.
Se estamos diante de algo pessoal, é importante demais o diálogo para que a relação se solidifique; se estamos diante de um projeto de trabalho, é importante demais o diálogo, para que as partes envolvidas cheguem juntas, ao máximo da perfeição e do sincronismo. O diálogo é importante sempre, especialmente se acontece antes que uma das partes, por não compreender a forma do outro, vá tomando decisões e substituindo as pessoas como quem troca de roupa. É impressionante como os humanos se sentem no direito de agir e reagir como lhes convém, porque, simplesmente, consideram suas verdades como as mais sensatas. E aí tudo é muito chato, porque o outro, ao se justificar, tantas vezes nos entristece.
Nessa hora, cresce o nosso desafio, olhar para o outro, não com os nossos olhos, especialmente quando formos magoados, mas olhar o outro, como se fôssemos ele mesmo, aí sim, quem sabe, fiquemos capacitados às relações humanas, compreendendo que a espiritualidade tanto trabalha a favor da luz, como em oposição a ela.
Volto a dizer, se somos testados o tempo todo, é preciso, potencializarmos nossas capacidades de sermos sinceros e investirmos na nossa possibilidade de diálogo, sempre.
Só assim estaremos aptos a conhecer mais profundamente o outro, seus pensamentos, seus sentimentos e seu agir. Só assim conseguiremos uma corrente tão para frente, que Deus se fará presente e nenhuma interferência poderá atrapalhar a edificação do que precisa estar alicerçado.
Hoje foi um dia em que me senti assim, de certa forma violada nas minhas mais sinceras intenções, aberta aos possíveis erros que, eventualmente tenha cometido e escancaradamente aberta, às reparações que envolvem as partes, na lapidação e excelência de determinado assunto. Mas, quando não há diálogo, tudo se decide apenas por um. E aí, aquilo que poderia ser simples, natural, funcional, que serviria, certamente, para trazer mais aprofundamento, conhecimento, crescimento, e por que não dizer, mais beleza na forma final, posto que, se duas pessoas estão juntas num mesmo empreendimento, é claro que ambas vão querer aperfeiçoá-lo a ponto de encontrarem a supremacia necessária à sua execução; passa, então, por complicações desnecessárias que acabam por melindrar os corações que estão puros e dedicados à meta.
Não creio que possamos e nem devamos ir substituindo pessoas, apenas porque algo saiu diferente da nossa forma-pensamento, ou porque não fomos capazes, às vezes até por insegurança, de investirmos na reparação, na construção, na solidificação e na relação
com a pessoa ou com o projeto em questão.
Talvez por coisas como estas, apontadas nesta crônica reflexão, numa noite de sábado chuvosa, justifique-se e explique-se, a velocidade de como os relacionamentos começam e terminam de formas tão desagradáveis e rápidas.
Talvez por coisas como estas, que hoje aqui, são postas quase que em desabafo, eu possa aproveitar na minha bagagem de dentro, mostrar para Deus e descansar Nele, e ainda, como colo e consolo, fechar meus olhos e sentir o Seu afago, num fim de noite de chuva, lágrimas e cansaço, mas, o universo do Seu Amor, com certeza me acalenta e me faz descansar em paz.
Sou feliz por poder errar, mas muito mais feliz ainda, por saber que tudo é passível de revisão e correção, especialmente, quando essas pequenas falhas, apontadas por alguém que conhecemos ainda de forma superficial, mas já queremos muito bem, não comprometem ou desabonam nossa conduta como seres humanos.
Prefiro hoje chorar um pouco, mas me sentir livre e leve, por compreender a atitude de um semelhante, ainda que pense diferente dele.
A poeta que existe em mim, agora não se põe a poetar, mas a meditar e, sobretudo, orar, por alguém, que demonstrou o quanto de mim, quase nada ainda percebe, mas, isso nem importa, sei o quanto não somos aptos, para podermos dizer que sabemos o que se passa com alguém diferente de nós, ainda que, sejamos sensíveis e mediúnicos, ou que já estejamos em sua vida há muito tempo.
A intenção da minha oração é de que todos os projetos de vida desse alguém, se realizem, com paz, harmonia e muita vitória. E no que eu estiver designada como instrumento, estarei de coração aberto.
Que reflexões, a mais, podemos fazer diante disso tudo?

Márcia Beatriz Prema
Enviado por Márcia Beatriz Prema em 30/07/2006
Reeditado em 08/08/2006
Código do texto: T205019

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Sobre a autora
Márcia Beatriz Prema
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil
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Márcia Beatriz Prema