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Aratu no facho

O aratu é uma espécie de caranguejo achatado que habita os arrecifes do nosso litoral. Não o confunda com o aratu do mangue, uma espécie menor e menos saborosa. São seres notívagos e arredios. Alimentam-se de restos de peixes mortos e de algas esverdeadas que se prendem às rochas limosas. Na praia de Camurupim, em Nízia Floresta, temos um grande paredão de rochas que se extende por vários quilômetros e bloqueia o mar agressivo, permitindo um ambiente adequado para a proliferação dos aratus. Os nativos dizem: -Vamos pegar aratu no facho? A “pegada” dos aratus é feita em noites sem lua e a caçada é iluminada por um facho feito com uma cesta metálica pendurada em uma vara onde se queimam pedaços de pneus velhos. Observei uma variante ancestral da técnica em que se usam folhas de coqueiro trançadas e queimadas com esse intento. O facho é segurado pelo homem mais experiente que conhece o caminho entre as pedras e que sabe calcular o tempo de retorno das ondas, gritando para os outros do grupo: -Olha o mar! Olha o mar! Esse grito é um aviso para todos correrem da borda do recife fugindo a tempo da onda traiçoeira que aproxima-se. Os coletores aproveitam-se do refluxo das ondas para capturarem, sem esforço, o maior número de aratus possíveis que, cegos momentaneamente pela luz do facho, são presa fáceis e dóceis.

A comitiva, correndo o risco de ser tragada pelas ondas e esmagada contra o rochedo escorregadio, não retrocede em sua marcha e, em pouco tempo, centenas de caranguejos são coletados. Baldes e sacos, cheios e pesados, são levados para as residências e os caranguejos são cozinhados só com água e sal. São extremamente deliciosos e têm muito mais carne que os outro tipos de caranguejos, como o siri, o guaiamum ou o sá. Os locais gostam tanto desta atividade que criaram o famoso bloco homônimo, Aratu no Facho, sucesso no carnaval local e que esse ano saiu no dia dezoito de fevereiro, dia do meu aniversário. Fui a três pegadas de aratus e achei uma aventura perigosa e excitante, mas, confesso, na última vez sofri uma queda medonha, quebrei os óculos e me arranhei todo. Temi pela minha vida e jurei não mais repetir a dose. Não caço mais aratus, porém... como são gostosos esses caranguejos!


Edmar Claudio
Enviado por Edmar Claudio em 30/07/2006
Reeditado em 30/07/2006
Código do texto: T205608
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Sobre o autor
Edmar Claudio
Natal - Rio Grande do Norte - Brasil
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