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Monólogo com meu cão





10/08/1981






Ô, Bingo, eu sei que você não tem culpa de a Negrita estar no cio, nem tem culpa de querer trepar com ela, afinal são só duas épocas no ano.
Mas não pense que comigo é diferente, não.

Ih, pára de chorar, até parece meu marido reclamando que tá cansado, que trabalha 14 horas por dia.
Até parece que eu, que sou mãe, tenho horário definido, quem me dera!

É, infelizmente eu vou sair, Bingo, e tua amada fica trancada lá dentro de casa, afinal, hoje de manhã eu soltei a coitada para dar uma mijadinha, e o sem vergonha aí já se aproveitou da pobrezinha.
Acho que foi a primeira vez, mas você não presta, mesmo, nem respeita a sua filha!
Se bem que com a gente, aqui, não é muito diferente, foi o pai da Maria que fez ela, e como a gente pensa e você não, tá desculpado.
Talvez ela até fique prenha, essa vez que você traçou ela, mas é melhor prevenir.
Da Lucrécia, a mãe dela, lembra? Nasceram três cachorrinhos seus, sorte que deu jeito, eu fiquei com a única fêmea, e os dois machinhos foi fácil.
Vá que agora dá azar, e só nasce fêmea? O Pinduca, aquele pequenininho que apareceu por aqui, já tá difícil de dar, imagine só cadelinhas...

É, você já se acostumou. A vida é isso mesmo, parabéns, Bingão!



(E, realmente, nasceram dois lindos casais).

Edilene Barroso
Enviado por Edilene Barroso em 31/07/2006
Código do texto: T205726

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Sobre a autora
Edilene Barroso
Campinas - São Paulo - Brasil, 53 anos
192 textos (21461 leituras)
12 áudios (4784 audições)
5 e-livros (337 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 11/12/16 12:28)
Edilene Barroso