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fonte imagem: http://palavrasdealgodao.blogs.sapo.pt/arquivo/1lugar.jpg

                  Um momento de profunda reflexão de mim mesma. 


EU, COMIGO

Aqui, não serei um árbitro de mim mesma e me isentarei de qualquer crítica que eu mesma possa ter sobre mim. Um novo olhar para a vida vou projetar, mas primeiro quero conhecer, sem superficialidades, o que se passa no meu coração. Quero compreender em profundidade se a minha alma passa por transformações ou se, por preservação, nunca dei acesso às outras verdades mais profundas dentro de mim. Quero descobrir se me estruturei dentro de alguma fábrica de sonho, onde atrás de pobres máscaras me fiz em uma fortaleza de concreto para não deixar emergir as minhas grandes incertezas e não padecer com algum tipo de culpa, fingindo viver uma vida dita normal. Não vivo um momento de contradições, apenas estou interessada em me resgatar na profundidade de meu espírito. Quero dar conta de mim, sem recusar o que a vida tem para me dar. Não quero mais permitir que a coalizão dos preconceitos que sobrevivem em mim, me faça recusar a mim mesma. Ouso cruzar uma nova fronteira e o perfil de meus sentimentos relegados e esquecidos se revelam. Talvez, todo esse tempo, eu tenha ignorado, quase em absoluto, a autonomia da liberdade na minha busca individual. Estive, muito tempo, apartada de mim. Agora consigo enxergar que fui protagonista de minhas inverdades Bombardeei e explodi toda e qualquer insurgência que pudesse me despir, me expor, me colocar em lugar que não tive a necessária coragem de estar. Ao examinar o meu passado, percebo que me preocupei mais em não agredir a quem esteve do meu lado, do que a mim mesma. Assim fui me isentando da culpabilidade da minha felicidade, que podia lhes soar sarcástica ou provocadora. Não, não quero mais ser um fruto da sabotagem de meus verdadeiros sentimentos e nem vítima de minha resistência que estabelece o que eu devo viver e não o que quero viver. Nem tampouco, estou renegando o meu percurso, apenas decidi mergulhar na profundidade de minha consciência para romper, definitivamente, com todas as minhas negações. Nego-me a aceitar a presença dos fantasmas que tanto tempo vêm me assombrando. Estou aqui, olhando para mim mesma, inteira e sem conflitos, apenas tentando me entender.

Rosa Berg
Enviado por Rosa Berg em 03/08/2006
Reeditado em 03/08/2006
Código do texto: T208250

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Sobre a autora
Rosa Berg
Juiz de Fora - Minas Gerais - Brasil
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