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(imagem de Armindo Dias, www.thousandimages.com)

QUEM SABE NA PRÓXIMA...

               Acordo sempre com fome. Tenho fome de aprender, descobrir o que está oculto, desvendar segredos, e, quase sempre, causo tumultos. Dentro de mim, é claro, que não tenho nada que ver com os paus das canoas alheias. Só não sei descobrir coisas com gente perto. Guiando-me, traçando mapas, mostrando caminhos. Tenho essa coisa de auto-didata. 

               E a solidão ensina. Não falo de uma solidão imposta, compulsória, da qual se quer sair e não se pode. A solidão de que falo é outra: escolhida, uma opção, uma vontade própria. Mais do que desejada, ela me é necessária. Ela ensina. E eu, na medida das minhas limitações temporárias, aprendo. O que não consigo aprender, fica para a próxima solidão. Sim, porque eu peço, ela comparece e depois do trabalho feito, volto ao mundo. E ela se vai. E quando é necessário, volta. Uma espécie de professora particular. 

               Estou na fase do aprender a deixar. Deixar de esperar e também de desesperar. Deixar de ir e também, deixar ir. Deixar de sofrer e também deixar sofrer. Deixar de culpar e também deixar que me culpem se quiserem, sem que eu me culpe. Deixar amar e ao mesmo tempo, deixar de amar. Superar, sublimar, transpor, relevar, mas principalmente deixar. 

               Não sou Administradora Geral do Universo. O mundo não vai girar no sentido inverso por causa das minhas dores, me disse minha solidão. Pensei sobre a frase, pesquisei com as unhas rasgando o fundo das entranhas, subi de volta e finalmente capitulei: não vai mesmo. 

               Aprendi finalmente a renunciar, esquecer, desistir, disfarçar, não me abalar, desamar. Talvez fosse melhor que não. Too late. Já absorvi a lição. Quem sabe mude tudo. Na próxima solidão.

Débora Denadai
Enviado por Débora Denadai em 03/08/2006
Reeditado em 03/08/2006
Código do texto: T208286

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Sobre a autora
Débora Denadai
Caracas - Distrito Federal - Venezuela, 54 anos
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Débora Denadai

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