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O CASO DO MACARRÃO INSTANTÂNEO

      Dia desses estava eu, comprando macarrão instantâneo para o preparo de um autêntico jantar brasileiro, quando ao passar no caixa do supermercado, a operadora abre um largo sorriso e pergunta-me:
      – Mais alguma coisa? Não quer levar uma Coca Cola Bola?
      Ora bolas, na minha ingenuidade de cliente, pergunto-lhe:
      – Hããããã???!
      – Coca Cola Bola! Custa só R$ 0,75!!! - insiste ela, apontando por cima do meu ombro.
      Dou uma ligeira olhada no bendito produto e devolvo um confuso:
      – Não, obrigada.
Saí de lá rindo e me perguntando se isso é abuso, ou eu é que ando comprando de menos e perco as atualizações no setor de vendas. Oferta estranha, não? Sei que se resolvesse comprar, não hesitaria em verificar a validade do produto.
      Ao contar o ocorrido, um amigo disse-me que talvez, ela (no conforto de seu lar) estivesse acostumada a comer macarrão instantâneo acompanhado de Coca Cola, e estava apenas querendo ser gentil; ou ainda, achasse um absurdo, empurrar goela abaixo aquele macarrão seco (a marca não era das melhores, admito)! E na minha “grandeza” de 1,66 cm, a gentil operadora de caixa calculou que uma garrafa de “1/2 ml”, seria o bastante para matar a minha sede. Vê se pode?

      Lembro-me agora, da minha infância. Quando ia comprar roupas.
      Buscava dentre os inúmeros cabides, alguma peça “usável” que me servisse (criança gordinha é uma graça de se ver, porém um horror de vestir!).
      Quando encontrada a iluminada peça, dirigia-me ao vestiário, onde dentro de instantes, me contemplaria fashion.
      Bendita era a hora em que eu me despia. Bastavam segundos, até que alguma das vendedoras puxava categoricamente a cortina do vestiário, e perguntava-me:
      – Serviu?
      – Como é que eu vou saber, se você ainda nem me deixou provar, sua pedófila!?!?! - e isso era o que eu tinha vontade de dizer àquela espiã de traseiros gordinhos, porém minha educação não me permitia fazê-lo, restando-me assim, apenas um envergonhado:
      – Não sei, anda não vesti - e tornava a puxar a cortina.
      Esse tormento me perseguiu a infância inteira, e o curioso é que todos pareciam achar perfeitamente normal. Oh, bando de despudorados!

      Não sei se esses meus dezoito anos me deixaram mais crítica, ou sei lá, todos estavam certos, e isso é completamente normal, mas o fato é que me incomoda toda essa intimidade vinda de desconhecidos vendedores.
      Bóra dar mais privacidade aos clientes!
      E por favor (!!!), não me embaracem mais!!!
Patricia Florindo Martins
Enviado por Patricia Florindo Martins em 03/08/2006
Código do texto: T208293
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
Patricia Florindo Martins
Peruíbe - São Paulo - Brasil, 28 anos
43 textos (1940 leituras)
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Patricia Florindo Martins