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CORDÃO UMBILICAL

Lembra do tempo em que você era criança e qualquer brincadeira era engraçada? Você brincava de esconde-esconde, pula-pula, amarelinha, bolinha de gude, e para você, aquela turminha de três ou quatro moleques parecia que nunca ia se separar. Isso até um deles inventar de falar mal da sua mãe. A brincadeira acabava. O pau comia. Cordão umbilical nunca se rompe.
A ligação entre mãe e filho durante a vida é tão forte e perpetua como a raiz de uma sequóia que resiste ao tempo e tão sensível quanto arrancar dente sem anestesia. Na verdade elas são donas da nossa vida. Dona Verônica é a minha dona. Bastava eu sair da linha pra ela exercer seu pulso firme e usar o ‘chinelinho’ havaianas na minha bunda carnal e errante. Pobres bundas carnais. E como doía. Mas, essa é a autoridade humana mais próxima da divindade. Que mãe não é considerada sagrada pelo seu filho? Só uma mulher pode-se dar ao luxo de doar parte de si e criar outra vida, mantendo o vinculo para sempre.
Devido as andanças da vida, não moro mais com a minha dona. Porém, durante a semana acabo voltando ao ninho uma ou duas vezes. Meu quarto ainda está lá, cheio de coisas minhas como que denunciando que falta um filho. Não está muito diferente de como eu deixei. Está assim propositalmente.
Quando estou lá, minha mãe abre as asas e pede (meio tímida) se eu quero voltar para sua barriga. Explico que o cordão nunca se rompeu, nem se romperá, mas que destino do ovo é virar galinha.
Martins Filho
Enviado por Martins Filho em 31/05/2005
Código do texto: T21021
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Sobre o autor
Martins Filho
Caxias do Sul - Rio Grande do Sul - Brasil, 38 anos
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Martins Filho