Capa
Cadastro
Textos
Áudios
Autores
Mural
Escrivaninha
Ajuda
Textos
Texto

CRIANÇA ESPERANÇA



(Para refletir)



Era uma vez   uma criança a quem tudo fora negado. Não tinha pai nem mãe, comia o que catava nos lixões da cidade grande, não possuía um teto para protegê-lo do sol ou da chuva, dormindo ao relento e em vez de contar “carneirinho”, contava as estrelas do céu.
Como toda criança, sonhava com carrinhos e bolas de futebol... Ah, mas isso era apenas sonho!
Nasceu para ser grande, pois ninguém vem ao mundo rotulado de pobre, miserável ou marginal,  no entanto, a  fome não lhe permitiu vôos mais altos. Não se preocupava com os trapos que lhe cobriam o corpo. Já não sofria porque não freqüentava a escola. O que lhe doía, mesmo, era não ter um pedaço de pão para mitigar-lhe a fome.
Nunca ouviu falar que o Estado tinha obrigações com ele. Saúde, Educação, Lazer, que diabo era isso? Ele não sabia. A fome não deixava.
Aos poucos foi encontrando outros meninos iguais a ele e com esses companheiros aprendeu que  o mundo é do mais sabido e tornou-se “trombadinha”. Assaltava, principalmente,  para comer, mas depois descobriu que “cheirar cola” era o máximo, mas isso não podia fazer a céu aberto, pois a sociedade, essa mesma sociedade que sempre lhe voltou as costas, não ia permitir tamanho descalabro. E aí, o que fazer? Precisava de um refúgio. Procura daqui, procura dali, o grupo descobriu um viaduto e lá fez o seu quartel – general. Roubava de dia e à noitinha, cheirava cola. Prá que vida melhor? Afinal, não pedira para nascer. Alguém, por um momento de prazer, jogara-o ao mundo, como se fosse um trapo ou  um copinho descartável. Nada aprendeu sobre respeito, integridade, amor, carinho. A vida estava à sua frente para ser agredida e não vivida.
Como não conhecia as delícias de uma boa educação, nunca freqüentara uma escola  e jamais trabalhara, ia tocando a vida reservada aos excluídos, até que ...
          “A Polícia botou fogo num viaduto onde crianças se abrigavam ...”

         


Marisa Alverga Cabral
MARISA ALVERGA
Enviado por MARISA ALVERGA em 06/08/2006
Código do texto: T210587
Enviar por e-mail
Denunciar

Comentários

Sobre a autora
MARISA ALVERGA
Guarabira - Paraíba - Brasil
41 textos (4625 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 08/12/16 10:03)
MARISA ALVERGA