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Férias ... Doces Férias - Parte I

Se existe algo que mexe com o humor do ser humano, esse algo se chama: férias!
Todos nós já tivemos momentos de fortes delírios e quase alucinações, imaginando um tempo de descanso, sem qualquer preocupação e com todas as mordomias que em sonhos são permitidas aos meros mortais...
Isso me lembra um casal de amigos, que após alguns anos de sofrida privação, por conta de dificuldades financeiras, conseguiu finalmente organizar dez dias de férias, e para toda a família!
Junto aos os quatro filhos, sentaram-se e resolveram num consenso, quais seriam as opções que teriam com a quantia que dispunham.
Após muita discussão, palpites e trocas de idéias, entre outras trocas, uma vez que os jovens em questão eram bem mais entusiasmados que os pais, acharam por bem alugar uma casa na praia.
Isto posto, o tão animado pai viu-se envolvido com pendências não resolvidas. Por mais quatro dias consecutivos precisou enfrentar reuniões intermináveis em volta da mesa da sala de almoço, gerenciando, da melhor forma que lhe era possível às negociações sobre local, data, divisão da condução (claro, pois três deles tinham carta e a família contava apenas com dois carros...) e mais alguns acertos caseiros irrelevantes no momento...
Passados os quatro dias, por fim decidiram que alugariam uma casa em Cabo Frio, pois ao pesquisarem na Internet, acharam ofertas das mais atrativas e com fotos espetaculares...
Ah! Como é doce o sabor da realização!
Nesta noite, nosso amigo, um chefe de família eufórico e bem humorado, se quer conseguia dormir, pois havia acertado o aluguel, e melhor ainda, até cozinheira e lavadeira foram providenciadas com um pequeno acréscimo, é claro, mas o que lhe rendeu um entusiasmo considerável por parte da esposa... Em verdade, até as compras do supermercado havia acertado pela Internet.
Sentia-se praticamente um rei...Com sua rainha lhe paparicando e toda sua corte lhe rendendo homenagens e mimos, que há muito havia deixado de receber...
Hum! Pensando bem... Chegou a conclusão que desde a infância não se sentia tão mimado!
Enfim, era chegado o grande dia...Todos num astral de fazer gosto. Seus jovens filhos tão gentis entre si, que pela primeira vez sentiu-se orgulhoso dele mesmo, imaginando que proeza não fizera casando-se com uma rainha, que educara seus príncipes na mais refinada etiqueta.
Eram todos sorrisos...Com licença...Obrigado...Por favor...Imagine! Você primeiro...
Inacreditável o poder de umas férias!
Nossos amigos moram no interior de São Paulo, lá pelos lados de Piracicaba, assim, iriam ter uma distancia considerável a percorrer...Mas estavam todos adorando, companhias tão agradáveis!
O carro em que estavam os jovens ia à frente, e logo atrás, seguiam os pais com a caçula, numa postura protetora e orgulhosa...
Haviam saído às cinco horas da manhã, e, portanto antes do meio dia já estavam esfomeados...
Comunicando-se através de celular, que esteve atuando desde a saída, ocorre uma certa polêmica quanto ao lugar onde parar...Há um que deseja o posto que é especializado em queijos, outro não gosta dos lanches que ali fazem, outro ainda deseja que seja um posto com opções de compras, pois já pensa em iniciar a gastança.
“Democraticamente”, após uma certa troca de desaforos, o pai decide onde irão parar e encerra-se o pequeno episódio de conflito.
Já no restaurante, o pai chama atenção dos filhos fazendo com que todos retomem o bom humor e lembra-se que estão de ferias...
A viagem prossegue sem grandes novidades...É fato que em dada hora furou o pneu de um dos carros. Os jovens embananados por jamais terem realizado este serviço, acabam passando as honras ao pai, que de boa vontade acudiu seus rebentos... sempre interferindo para que não perdessem o espírito esportivo e a alegria...
Mais adiante, uma pedra surgida não se sabe de onde atinge o vidro do carro dos pais, e todos se vêem obrigados a retardar a viagem, pois foi preciso entrar na cidade próxima e tomar as providências cabíveis, para que pudessem prosseguir normalmente.
Horas depois, um grupo silencioso tomou seu lugar e reiniciou a jornada. Já não se ouvia a cantoria, ou risadas, ou piadas e nem o celular entrava tanto em ação...Apenas prosseguiam, já sentindo um certo cansaço...
Mas a aventura ainda não estava completa...Já nas imediações de Barra Mansa, ao passarem por um comando da policia rodoviária, o carro em que os jovens estavam, foi detido por excesso de velocidade. Ato contínuo, o pai estaciona atrás e se dirige ao grupo que lhe parecia estar com algum problema. Seu filho mais velho, que dirigia, havia esquecido a carta em casa!
Após horas de tratativas, uma multa bem pesada, e uma troca de “delicadezas” entre os envolvidos, nosso herói consegue que se libere o carro, e a mãe toma o lugar de seu primogênito, assegurando assim, que não mais houvesse risco de interrupções.
A essas alturas, todos silentes, cansados e já manifestando sinais de irritabilidade coletiva, resolvem que devem pernoitar na cidade mais próxima, pois não há mais condições de chegarem ao destina naquele mesmo dia.
Procuram um local para passarem a noite, e acomodam-se em um hotel, e lá todos se entregam aos braços de Morfeu com a esperança de um dia melhor!





Priscila de Loureiro Coelho
Consultora de Desenvolvimento de Pessoas
Priscila de Loureiro Coelho
Enviado por Priscila de Loureiro Coelho em 31/05/2005
Código do texto: T21103
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Sobre a autora
Priscila de Loureiro Coelho
Jacareí - São Paulo - Brasil, 65 anos
1286 textos (215180 leituras)
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Priscila de Loureiro Coelho