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Férias ... Doces Férias ! Parte II

Nossos personagens dormiam como anjos...cansados que estavam, buscando no mundo dos sonhos a realização de suas pretensões. Foi um dia difícil e as perspectivas para o dia seguinte eram as melhores possíveis!
Dia seguinte, levantam-se com os ânimos renovados e há uma certa dose da alegria anterior, retornando e animando novamente nosso grupo.
Após um bom café da manhã, seguiram viagem e o pai, um eterno animado, lidera uma certa algazarra na clara intenção de que todos elevassem novamente o astral. E assim, seguiram rumo ao destino combinado.
Finalmente, após todas as dificuldades, a alegria de passar pela ponte RIO-NITERÓI, chegam a Cabo Frio...Ah! Numa euforia de causar inveja...Rindo e fazendo planos, todos falando ao mesmo tempo.
O pai toma a frente e com o endereço na mão, vai dirigindo-se ao que será o lar de sua família durante os próximos dez dias. Entre informações e algumas conclusões razoáveis, por fim chegaram. Mas havia alguma coisa errada, estacionaram o carro em frente ao endereço e lá permaneceram.
Havia um silêncio quase macabro, e expressões que variavam entre espanto e horror.
Imediatamente o pai desceu e se dirigiu ao vizinho, perguntando o nome da rua. Ao confirmar, indaga se não há outra rua com o mesmo nome em algum outro bairro...Bem distante dali! A resposta negativa força-o a encarar a verdade. A bela casa que todos haviam conhecido pela Internet, sem duvida sofrera de algum mal súbito, pois se encontrava em estado deplorável...
Ninguém descia dos carros, como se esperassem que o pai sorrisse e dissesse que tudo não passava de uma brincadeira...
Não havia erro, nem outra saída a não ser descerem e conhecerem a famigerada residência.
Nosso herói, tentando ainda salvar o momento difícil que sua família atravessava, tenta animar a todos, dizendo que o bangalô tinha charme, que este ar envelhecido, abandonado, dava a idéia de que estavam participando de algum filme antigo e épico... Dizendo isso, calou-se temeroso que o filme pudesse ser de terror...Podia ler esse raciocínio nos olhos estatelados dos filhos
Os rapazes entreolharam-se meneando as cabeças como a duvidar da sanidade do pai, mas não reagiram... Rapidamente o chefe da família convoca a todos que saiam do carro imediatamente.
Após alguma relutância resolvem entrar para conhecerem a casa. Inconscientemente os rapazes se aproximam da mãe que se encontrava grudada à filha caçula. O pai respira fundo e abre a porta da frente. Adentra vagarosamente olhando pelos lados, mapeando o "território" mentalmente...E só então se dá conta que o restante da família encontra-se embolado na porta de entrada sem se mover...
Um tanto irritado ordena que todos se espalhem, se movam e comecem a descarregar a bagagem, no que é imediatamente atendido, pois nada para seus filhos, pareceu mais atraente do que poder sair de dentro da casa.
Ao ficar a sos, o casal se olha em profundo desespero, mas nada fala... Em seguida ambos se movimentam e começam a explorar o recinto.
Bem, a sala realmente era espaçosa, embora estivesse escura, sem pintura e com os vidros quebrados... Entraram na cozinha...Pequena!...E praticamente despojada de todo e qualquer conforto que se tivesse conhecimento. Havia uma pia...Graças a Deus, pensa a mãe...Mas, espere...Onde está a torneira? Céus...
Dirigem-se ao banheiro social...Bem...Ao constatarem que havia o vaso e a pia continha uma pequena torneira, quase gritaram de alegria. E pela primeira vez, desde que haviam chegado conseguiram esboçar um sorriso.
Foram então em direção aos quartos...Sim, eram três... Cubículos! Mas o que havia acontecido com os quartos arejados e amplos que se via nas fotos apresentadas na internet? Indaga-se o pai inconformado.
Tão assustada estava a esposa que não acompanhou o marido na visita ao banheiro da suíte...
Ouviu-se um gemido sofrido vindo de lá... Preocupada juntou-se rapidamente ao companheiro, temendo que algo tivesse acontecido a ele. Encontrou-o parado, com uma expressão muito suspeita! Acompanhando os olhos do marido, pode constatar por si, o motivo de gemido tão sentido...O banheiro da suíte... Havia desaparecido.
Apenas o cômodo, despido de qualquer revestimento, e no canto, junto à parede escura, um velho e descascado pinico!
O impacto foi demais... A pobre mulher não suportou... Sem qualquer aviso prévio, saiu em disparada e desapareceu porta afora...
Quando por fim, nosso herói, conseguiu mover-se, passeou solitário pelas dependências do que parecia um casebre abandonado há mais de uma década!
Observou atentamente as camas... Não havia a menor condição de lá permanecerem...
Saindo vagarosamente da casa, encontrou sua família abraçada em um dos carros... Nenhum deles se dispôs a falar, e muito menos a mover-se.
Humildemente, entrou no carro e jogou a pergunta, não se dirigindo a ninguém especificamente:
Que fazemos agora?
Em uníssono todos gritam em alto e bom som:
Vamos embora papai! Estamos morrendo de saudades de casa...
O pai, abatido, olhou para a mãe que se limitava a observar a cena. Pergunta a ela o que acha. Imediatamente sorri, um sorriso genuíno de alegria, e diz que nunca sentiu tantas saudades de casa como naquele dia...
O pai retorna a casa, tranca a porta, mesmo sem entender porque o faz, uma vez que a mesma tinha tantos vidros quebrados que poderia receber uma leva incontável de convidados noturnos, sem que precisassem utilizar-se de algo, tão comum como uma porta, e assim, dirige-se para o carro.
Ao avisar a todos que iriam retornar para casa, não pode conter um riso ao observar a explosão de alegria e entusiasmo dos filhos...
Quem observasse de longe a família entrando na rodovia, teria a impressão que estavam saindo de férias, tal era a empolgação do grupo.
Uns poucos quilômetros adiante, pararam em um posto para abastecer. Quando terminaram, surge um moço, todo simpático e falante, e se dirige ao chefe da família.
Diz que ele foi contemplado com um prêmio, ao abastecer naquele dia. Que assinasse um papel, pois a família havia ganhado uma semana de férias em Cabo Frio!
Sem que ninguém pudesse prever, nosso herói, volta-se para o rapaz e, aplica-lhe um soco no nariz! E o rapaz desaba no chão tão espantado que nem reagiu...


Priscila de Loureiro Coelho
Consultora de Desenvolvimento de Pessoas
Priscila de Loureiro Coelho
Enviado por Priscila de Loureiro Coelho em 31/05/2005
Código do texto: T21110
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Sobre a autora
Priscila de Loureiro Coelho
Jacareí - São Paulo - Brasil, 65 anos
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Priscila de Loureiro Coelho