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Porque não?
Tere Penhabe

Todos nós temos uma tendência que chega às raias do insano, na utilização do
"não", onde deveríamos utilizar o "sim".
É comum ouvirmos alguém afirmar categoricamente, que está sozinho por opção,
que não quer nenhum relacionamento sério em sua vida. Será?
Eu confesso que faço isso de vez em quando, alegando que não pretendo mais lavar cuecas, mas como disse um dos pretendentes: esse problema a brastemp resolve pra gente.
Mas não afirmo isso nas minhas reflexões, diante do espelho, trocando figurinhas
com a minha melhor amiga, que sou eu mesma.
Mas será que alguém afirma isso com convicção? Ou estamos tentando enganar a nós mesmos quando afirmamos isso?
Temos 1001 motivos para tentarmos, e nenhum para nos negarmos esse direito...
A nossa vida é permeada por erros e acertos, e por mais que desejemos, não
conseguimos repetí-los, não da mesma maneira, sem nenhuma diferença.
Resgatar os acertos, é pura utopia. Eles existiram, e ficaram no passado. Vivemos as suas conseqüências, que geralmente são boas, mas isso não é uma regra de ciências exatas. Muitos dos nossos acertos do passado, transformam-se, no futuro, em horrendos pesadelos.
Da mesma maneira, alguns dos nossos supostos erros levam-nos à circunstâncias, que nunca havíamos esperado. Momentos bons, que só foi possível, graças a alguma escolha "mal feita" lá atrás...
Então, porque ter medo? A vida é um risco maravilhoso, constante e volátil. Não
cabe a inércia, sob pena de nos arrependermos mais tarde, sem tempo para correções.
Pense bem: eu já me arrependi de coisas que não fiz, mas em momento algum houve arrependimento pelo que eu fiz, porque naquele momento em que eu decidi fazer, era o que meu coração mandava, eu não fui influenciada por ninguém, foi uma escolha, minha, exclusivamente minha, do meu coração. Portanto, arrepender-se de quê?
E ninguém corrige a vida, simplesmente porque cada minuto dela só acontece uma vez. No próximo, já estamos sessenta segundos mais velhos, e daí por diante, não teremos o mesmo pensamento jamais, a menos que fiquemos marcando passo.
É preciso vivê-la, sem medo e sem hesitação. A isso, chamam "felicidade".
Quem é feliz, não consegue tudo o que quer, mas é feliz por tentar, por não ter amarras que o prendem ao medo, ou a qualquer outro sentimento negativo, tristeza, mágoas, etc
Não devemos ser impulsivos, evidentemente que não. Mas temos que fazer nossas escolhas sem deixar frestas, dúvidas.
Conheço pessoas que sofrem muito para fazer suas escolhas, são indecisas, trôpegas em momentos cruciais da vida.
Mas eu concluí, observando-as, que isso acontece porque não usam o coração.
A nossa mente não sabe lidar com sentimentos, ela não conhece a importância deles, ela se limita a executar, e pode tudo, o que o coração mandar. Se o deixarmos de fora, evidentemente teremos um impasse constante.
O nosso coração, ou essa magia que chamamos coração, que nos provoca emoção, mágoa, amor, ele não tem como errar. Ele é o representativo mais honesto de nós mesmos, a parte de dentro do ser que caminha pelas calçadas displicentemente e que às vezes eu paro e me pergunto se aquela pessoa é feliz...
Apesar de todas as citações de grandes pensadores, o mundo atual reverteu esse
conceito de que as escolhas devem ser feitas com a razão, graças a Deus.
Dr. Luiz Alberto Py, psiquiatra e psicanalista, é um dos que afirma: "A melhor
maneira de se escolher uma profissão deve se dar da mesma forma como se escolhe um amor: com o coração."
Se ele, dessa área tão profunda da medicina, rendeu-se ao coração, certamente é uma sugestão válida: escolher com o coração... porque não?
Mas não é isso que acontece com mais freqüência, infelizmente. Quantos prováveis mecânicos excepcionais, que poderiam enriquecer facilmente exercendo a profissão que amavam, estão atrás de mesas de escritórios, fazendo prédios que não suportam sequer as intempéries... porque o pai queria um engenheiro na família.
Quantas mulheres vivem a mesma situação, trabalhando com horror à profissão, e
conseqüentemente sem criatividade ou sucesso, apenas porque exigiram delas que tivessem um título, porque criaram o dogma de que sem os títulos ninguém vale nada na vida. E há quem abane esses títulos, como se eles fizessem dele um grande homem...
Mas a vida é tão mais que isso!
E até mesmo para escolher o amor... como é triste quando alguém se interessa por outro alguém, e a primeira interrogação é sobre a profissão... nem disfarçam.
Isso acontece muito nas salas de bate-papo da internet, e eu sempre respondo que não faço nada, sou dondoca e pretendo ser sustentada na beira da piscina tomando champanhe com suco de laranja... eu nunca tomei, será que é bom? Vi isso num filme da Elizabeth Taylor...
Se é bom eu não sei, mas eu me divirto muito com os caçadores de viúvas com gordas pensões. rs
Mas então é isso... eu concordo que você diga que não, que não quer se envolver, que não quer confusão, que não vai mais cuidar de ninguém, como já cuidou da outra pessoa que não lhe foi grata, concordo plenamente. Mas se de repente, o seu coração der o alarme, e você sentir vontade de abraçar aquela pessoa que você conheceu de repente, que está conversando tão animadamente com você... porque não?
O máximo que pode acontecer, é aprendermos mais um pouco...

Santos, 13.07.2006_10:00 hs

Tere Penhabe
Enviado por Tere Penhabe em 07/08/2006
Código do texto: T211105

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Sobre a autora
Tere Penhabe
Santos - São Paulo - Brasil, 61 anos
252 textos (25810 leituras)
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Tere Penhabe