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             Clara de Assis

          1. Não sou viciado em novelas. Quando as vejo, faço-o  mais pelo prazer de admirar meus artistas preferidos. Pouco me interesso pelo enredo do folhetim em cartaz.
          2. Mas quando me disseram que, em Páginas da vida,  a atriz Nanda daria aos seus gêmeos os nomes de Clara e Francisco, resolvi acompanhar, com atenção, alguns capítulos da trama do Manoel Carlos.
          3. Mantive-me ao lado de Nanda durante sua gravidez; na hora do parto; e, constrangido, assisti sua morte, ocorrida "em circunstâncias trágicas", como dizem os repórteres de Polícia. 
          4. Nanda, uma moça bonita, meiga e paciente... Aguentou, resignada, os chiliques da sua caturra genitora, inconformada com a prenhez da sua jovem filha.
          5. Em pouco tempo, a ranheta Marta (Lilia Cabral) tornou-se a mãe mais odiada do Brasil. Eu mesmo tive vontade de aplicar-lhe umas bofetadas.
          6. Dando aos filhos de Nanda nomes seráficos, quis  Manoel Carlos homenagear Francisco e Clara de Assis? A ternura da história que seria vivida por Nanda o teria levado a dar aos filhos da atriz  nomes franciscanos? 
          7. Sobre São Francisco, quero dizer, que, ao longo de muitos anos, venho falando sobre ele. Não só porque gosto do Poverello; também porque sou grato aos frades menores. Nos seus seminários vivi boa parte de minha infância e de minha juventude.
          8. Hoje, entretanto, vou falar de Clara de Assis, a meiga companheira de frei Francisco, morta há 753 anos, aos 59 anos de idade. 
Ainda lamento não ter podido visitar seu túmulo, quando passei por Assis. Um terremoto danificara seriamente sua Basílica, obrigando o Governo italiano a interditá-la por longo tempo.

          9. Apaixonado por Clara, Francisco fundou a Segunda Ordem Seráfica. E confiou à sua bela amiga o comando da Ordem das Clarissas, Congregação reconhecida por Inocêncio IV, pela Bula intitulada Solet annunere, publicada em setembro de 1252.
          10. As Clarissas foram as primeiras freiras a se instalarem no Brasil. Em Salvador, construíram o seu primeiro mosteiro. Elas chegaram na Boa Terra em abril de 1677, e moraram na capital baiana até março de 1915.
          11. Marcando a passagem da Congregação por Salvador, ficou o imponente Convento do Desterro, de estranhas e surpreendentes histórias. Histórias profanas e histórias religiosas, como a envolvendo Madre Victória da Encarnação.
          12. Se a Cúria tivesse diligenciado, Soror Encarnação já seria beata (ou santa?), a primeira genuinamente brasileira. A esta santa clarissa voltarei em outra crônica.
          13. Mas, como disse, escrevo hoje sobre Santa Clara de Assis. No próximo dia 11 de agosto, a Igreja estará lembrando mais um aniversário de sua morte, ocorrida no ano de 1253, sob o céu da sua encantadora Úmbria.
          14. Clara de Assis é uma santa discreta. Mas a Igreja foi buscar no silêncio de sua modesta cela seráfica o motivo para lhe dar o título de Padroeira da televisão. Ao Papa Pio XII coube a nomeação. Um dia recordarei o porquê dessa escolha. É assunto, diria, para uma crônica natalina.
          15. Clara de Nanda, como Davi, meu netinho, é portadora da síndrome de Down. 
     Na novela, segundo soube, Clara vai mostrar ao Brasil, sem censura ou cortes, o que é a síndrome, suas conseqüências; e, acima de tudo, pôr em destaque a doçura dos "Especiais": eles são pessoas amadas por deus e o mundo.
          16. Clara de Nanda, acredito, continuará cumprindo essa sua missão em Páginas da vidaMas, de repente, poderá, também, ajudar a nós, brasileiros, a pedir a Santa de Assis a Televisão que merecemos. O milagre pode acontecer.

Nota - Na foto, Davi, meu netinho, de olho na televisão.

 
Felipe Jucá
Enviado por Felipe Jucá em 07/08/2006
Reeditado em 20/09/2014
Código do texto: T211259
Classificação de conteúdo: seguro
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Sobre o autor
Felipe Jucá
Salvador - Bahia - Brasil
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Felipe Jucá

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