Capa
Cadastro
Textos
Áudios
Autores
Mural
Escrivaninha
Ajuda
Textos
Texto

GROSSERIA

     Trabalho a 70km de casa. Preciso me locomover de ônibus, pois ninguém suporta pagar combustível todos os dias a esta distância.

     Pego o ônibus que passa na parada bem pertinho de casa e me deixa a poucos metros do trabalho. Cômodo, não? Se não fosse as grosserias dos colegas passageiros, até que seria uma boa viagem.

     Sempre ouço muita coisa grosseira por parte dos passageiros em referência ao nosso motorista, que também é trabalhador como nós, que acorda de madrugada como nós, que enfrenta trânsito, responsabilidade pela vida dos passageiros, recebe ordens como qualquer empregado de qualquer empresa.

     Eu não sei se isso acontece em todo o Brasil, mas aqui no entorno de Brasília, chega ser angustiante ouvir certas coisas que eles dizem ao pobre do motorista, que por sua vez, antes de assumir o cargo, recebe treinamento de não responder aos insultos dos passageiros, mas foge dos limites humanos ouvir certas coisas, tais como: (se o trânsito não permite correr)"Está andando devagar com medo de encontrar o outro lá na sua casa.", (se corre mais um pouco do normal)"Está correndo assim pra pegar o outro lá é?" e outras coisas até mais pesadas que mereciam até processo, mas... fazer o que, não é? Gente mal educada, é gente mal educada.

     Hoje, especialmente, ouvi uma senhora, que trabalha em um órgão público, que deveria ter mais um pouco de compostura dizer coisas ao motorista que fiquei abismada, e ela falou sério, não falou brincando. Foi assim: A ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) está de tempos em tempos, vistoriando os ônibus para melhor segurança de quem usa, óbvio. Os agentes da ANTT pararam o ônibus para vistoriar e levou nesse trabalho, menos de cinco minutos. Enquanto os agentes fazem seu trabalho, a gente só fica ouvindo os colegas passageiros reclamando. Ô classe para reclamar, viu! Quando os agentes liberaram o ônibus depois de menos de cinco minutos de tortura da espera, os passageiros começaram a falar:"E aí, motora, pisa fundo, não dá moleza, não." Mais adiante, o motorista parou para um passageiro subir, foi aí que a referida senhora, mãe de família, nora de alguém gritou bem alto:"Não pára não, motorista, sua sogra já ficou lá atrás, pra que você está parando?"

     Eu achei aquilo, uma grosseria sem tamanho, ainda mais partindo de uma senhora. As mulheres, por natureza, têm que ser mais delicadas nos gestos e nas palavras.

     Coitado de quem é motorista e tem que transportar pessoas grosseiras!
Maria Lúcia Flores do Espírito Santo Meireles
Enviado por Maria Lúcia Flores do Espírito Santo Meireles em 08/08/2006
Código do texto: T212049
Enviar por e-mail
Denunciar

Comentários

Sobre a autora
Maria Lúcia Flores do Espírito Santo Meireles
Brasília - Distrito Federal - Brasil, 58 anos
152 textos (4027 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 04/12/16 00:17)