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A crônica de todos os dias

Acordo. São seis e meia da manhã, penso em dormir mais um pouco, sabe aqueles 5 minutinhos deliciosos depois que o relógio desperta?
Acordo, dessa vez já são 7 horas, estou atrasado denovo, levanto rápido, como que se fosse partir correndo dali mesmo, mas paro, penso um pouco, e pego minhas coisas pra tomar um banho. O banho quente me agrada, fico quase dormindo em pé enquanto aquele vapor de água embaça tudo ao redor, mas uma vez lembro que estou atrasado e termino o banho correndo, mas não totalmente desperto ainda.
Me visto rápido, arrumo o cabelo com as mãos e já penso no que tenho que fazer nesse dia...
Saio correndo de casa, depois de ouvir todos os dias da minha mãe as mesmas frases que adoro:
-Pegou seu almoço?
-Já.
-Não está esquecendo nada?
-Não.
-Bom serviço.
-obrigado
-Vai com Deus.
-Amém
-Tchau
-Tchau.
Esse diálogo diário, por incrível que pareça, me prepara para o dia... se não ouço isso parece que o dia começou estranho, sabe aqueles dias meios malucos em que tudo acontece junto? Todos os dias que ouço isso, saio mais sossegado de casa, pois pelo menos eu sei que em casa está tudo bem.
Ainda estou sonolento, nem sei direito pra onde vou, mas meus coturnos parecem seguir sozinho para o mesmo ponto de ônibus de todos os dias, e cada dia mais rápido.
É aí que começa tudo. Ainda sonolento começo a pensar coisas... observo a rua, penso em como tudo por alguns instantes parece ser fútil, todos os dias, as mesmas pessoas, no mesmo horário, no mesmo lugar, juro pra mim mesmo que não vou continuar fazendo isso pro resto da minha vida... observo um senhor calvo e gordo que passa por mim, peraí, esse cara é novo nesse horário.
Chego no ponto do ônibus, isso me faz pensar poderia não ter dormido aqueles 5 minutos, pois acabo de descobrir que o ônibus acabou de passar... me xingo, mas me controlo, pois ainda é cedo para pensar em aborrecimentos.
Abro minha bolsa, pego um livro, é Nietzche, que até me faz mal ler em alguns momentos, mas ainda é cedo, estou com sono e ler Nietzche me ajuda a acordar, uma passagem muito interessante me chama atenção, fala sobre cristianismo e o ônibus chega.
Subo no ônibus. Lotado mais uma vez, praguejo em silencio o nome da mãe do secretário de transportes dessa maldita cidade.
Cheguei, ao mesmo ponto de todos os dias, o paralelepípedo sujo, com água escorrendo, de todos os dias, aquela cor marrom, que me faz pensar que estou em outro mundo, sabe, aquilo não parece com nada, é muito horrível, respiro um pouco de fumaça de ônibus, cheiro de poluição que toda cidade grande tem... que horrível.
Atravesso a rua, observo os mesmos lavadores de pára-brisas no mesmo farol, todos os dias, parece que o sinal abre e fecha no mesmo horário em que passo. Parece estranho, tudo cotidiano demais, penso até que ponto essa cidade é uma metrópole?
Observo os ladrilhos azuis do muro de um prédio, parece que eles não estavam desse mesmo jeito ontem. Estranho, parece que o dia vai ser diferente hoje. E realmente foi... igual a todos os dias.
mactire
Enviado por mactire em 09/08/2006
Código do texto: T212280
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Sobre o autor
mactire
Campinas - São Paulo - Brasil, 33 anos
23 textos (775 leituras)
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mactire