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AMIGAS



Chove. A manhã permanece úmida.
Ainda bem, últimamente tem feito um calor infernal.
A temperatura está um tanto agradável, o que me faz sentir melhor.
O pensamento voa. Lembro-me de tempos idos, talvez uns vinte anos.
Hoje parece muito tempo, muito tempo para os desavisados, pois, a mim , parece que foi ontem, melhor, na memória parece que ainda acontece.
Tão vivas são as lembranças que ao fechar os olhos, como em tela mental, as vejo. As duas. Jovens morenas, alegres, da mesma idade, sempre juntas.
Sempre me dei bem com ambas, sempre fui muito chegado à elas.
Era amigo chegado de outras, mas essas eram especiais, muito especiais.
Sempre conversávamos, brincávamos, saíamos juntos. Parecia haver algo  especial entre nós. Uma afinidade imensa, coisa inexplicável. Algo assim como um imã a nos atrair. O relacionamento era imenso e por ficar tanto tempo  juntos, acabei me envolvendo com uma.. Nada havia de diferente entre ambas, apenas acabei ficando com aquela que se mostrava mais a fim . Mesmo com uma, sentia a falta da outra. Nossas conversas, com uma, sempre acabava se referindo à outra; sem intenção, sem maldade, a outra vivia entre nós.
O tempo passou, cada um seguiu seu caminho. Nos separamos, perdemos a proximidade. Casaram-se, também me casei. Agora, por questão profissional acabo trabalhando com uma delas. A convivência, o dia a dia, os encontros, as conversas, as rememorações, enfim, ocorre o que não poderia ocorrer jamais, o que nunca havia siquer imaginado. A proximidade me fez, ou sei lá, aflorou o que havia adormecido.
É ruim, muito ruim. É atroz, mas É. Tudo volta à mente. Como num clarão, abrupto, um raio que ilumina a noite a certeza. E que certeza.
Não pedi, ela não pediu. Talvez ela nem saiba, mas é a mais pura verdade.
Vedade de enlouquecer, verdade de envergonhar. Verdade jamais suposta, jamais esperada.
Novamente próximos, passei a observar melhor a antiga amiga, hoje colega de trabalho.  Seus gestos, sua forma de falar, a meiguice , a postura correta, o fino trato com os colegas....  Penso e repenso... volta o filme do passado num átimo.
Observo seus cabelos, lindos como antes, longos, negros como as asas do mutum. Os mesmos olhos alegres e vivases, inquietos como se estivesse sempre à procura de algo, mas dóceis e que transmitiam confiança e paz. O corpo, mesmo sendo mãe, continuava aparentemente perfeito, lindo...
O andar o mesmo de sempre, rápido, faceiro, provocante...
Aí a maldita e inconfessável certeza...  Eu namorei a moça errada.
 Fiquei com a mulher inversa. Quero e sempre quis esta que aqui está.
Trapalhada? Sei lá. Só sei que quero.
GDaun
Enviado por GDaun em 09/08/2006
Código do texto: T212329

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Sobre o autor
GDaun
Lupércio - São Paulo - Brasil, 72 anos
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