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Pequeno lapso

Há pessoas que são consideradas desligadas, distraídas ou sem memória. Particularmente acho injusto assim julgar os outros, pois considero que são apenas almas que vivem em paz...E perdem alguns pequenos detalhes da vida do dia a dia. Diria que há dias em que nosso espírito vaga docemente em dimensões diferente.
Por certo, foi num destes dias que um amigo meu, tido como distraído, mas uma pessoa especialmente alegre e bem humorada, viu-se em maus lençóis.
Seus pais o avisaram que deveria ir buscar sua avó na Rodoviária de São Paulo, pois a mesma estava chegando de viagem do interior.
Prontamente, organizou sua agenda, acertou seus horários de trabalho e dirigiu-se a São Paulo no final da tarde, como sempre alegre e bem disposto. Sendo autônomo, pode facilmente acertar o seu dia, sem que preciso fosse desmarcar qualquer compromisso.
É necessário dizer que meu amigo em questão é uma pessoa calma, das poucas que conheço que em uma emergência ainda sorri e acha tempo para acalmar todos os envolvidos. Aparentemente, nada abala seu ânimo e seu estoque de bom humor, pode ser considerado um acervo do inconsciente coletivo!
Nosso personagem chegou ao seu destino em São Paulo por volta das sete horas. Fazia um calor terrível, neste meado de fevereiro. Como a avó deveria chegar mais tarde, sentindo-se encalorado e faminto, resolveu jantar enquanto aguardava a chegada do ônibus.
Um bom gourmet fartou-se numa refeição deliciosa regada a um bom vinho branco gelado, e acompanhado por uma conversa agradável com um amigo que encontrou ao dirigir-se ao restaurante.
Como já fazia um bom tempo que não se viam, o encontro prolongou-se sem que ambos dessem conta do tempo que passava. Foram colocando em dia suas façanhas e realizações, recordando entre um fato e outro, as peripécias que juntos viveram no tempo da faculdade.
Ao se despedirem, por fim, trocando telefones e fazendo planos para um próximo encontro, nosso amigo encontrava-se plenamente satisfeito e feliz, num estado de ânimo sereno, causado pelo encontro com o amigo e o satisfatório jantar.
Foi nestas condições que, cantarolando dirigiu-se ao estacionamento, entrou no carro, ligou o toca fitas com um repertório apropriado e pegou a estrada, sentindo-se um ser humano em paz com o Universo.
Passava da meia noite, quando embicou seu carro na garagem de sua residência, e foi tomado de surpresa ao encontrar seus pais, ainda acordados e com um semblante um tanto fora do comum.
Desceu do carro, meio cauteloso e antes que perguntasse o que estava acontecendo, ouviu a exclamação dos dois em uníssono:
Ainda não foi buscar sua avó? A coitadinha já ligou cinco vezes!



Priscila de Loureiro Coelho
Consultora de Desenvolvimento de Pessoas
Priscila de Loureiro Coelho
Enviado por Priscila de Loureiro Coelho em 01/06/2005
Código do texto: T21385
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Sobre a autora
Priscila de Loureiro Coelho
Jacareí - São Paulo - Brasil, 65 anos
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Priscila de Loureiro Coelho