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A MORTE DE UM PLANETA

Acordei meio ‘deprê’. Então, eu resolvi fazer uma pequena lista das desgraças que o mundo abriga ou abrigou nas suas páginas. Só assim eu talvez perceba que estou sendo egoísta em me sentir tão triste. Antes de me ajoelhar e pedir pra Deus resolver meus pequenos problemas, ocupando o tempo dele com coisas que giram ao redor do meu umbigo, iniciei minha lista com os campos de refugiados no Sudão. Dizem que lá as famílias recebem uma lata de azeite e um saco de feijão por mês e tem que ficar rezando pra ninguém morrer de fome por ali, senão um bando de urubus não demora muito a chegar  pra devorar o corpo ainda quente.
Depois continuei na África, lembrando das moças que nascem em tribos de uma religião que adora o Sol. Essas moças têm seu órgão genital arrancado (parte dele) cirurgicamente, num ritual que acontece no inicio da adolescência e é em homenagem ao deus deles. Que deus mau!
Mudei de continente e lembrei de quanta gente morreu em Auschwitz, nos anos 40. Câmaras de gás, fornos de cremação de gente viva, fome, trabalhos forçados, frio, humilhações e depressão devem ter sido apenas alguns motivos de alguns milhões de mortes de famílias inteiras. Imaginei também a dor de alguma mãe que teve seus filhos e sua vida arrancados só porque um cara com o bigode engraçado não tinha nenhum senso de humor ou tolerância as diferenças inerentes a humanidade.
E o dinheiro? Quanto estrago o dinheiro faz! Por causa basicamente só de interesses financeiros, quantos atentados, guerras e revoluções civis ceifaram a vida de milhares de pessoas a cada ano?
Aids. Eu não sou HIV Positivo, mas quem garante que por mais que me cuide eu um dia numa transfusão de sangue não receba sangue contaminado. Duvida? Então leia as estatísticas. Não sou eu quem está dizendo isso. Mas Aids pode ter cura daqui a alguns anos. E câncer? E se eu, assim como milhões de pessoas descobri que tenho câncer e seis meses depois morrer. Uma morte fulminante  e dolorosa também para as famílias.

Minha dor de cabeça aumentou. Pensar com os pés no chão corta o coração.
Se parar para pensar, vamos concordar com a frase: viver é uma dádiva fatal.
Esse mundo vai durar mais um segundo?
Talvez precisemos rever o curso da história. Isso, se houver como.
Martins Filho
Enviado por Martins Filho em 02/06/2005
Código do texto: T21533
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Sobre o autor
Martins Filho
Caxias do Sul - Rio Grande do Sul - Brasil, 38 anos
52 textos (5954 leituras)
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Martins Filho