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         Uma rosa no avião

  
Assim que meu avião decolou, abri uma revistinha de bordo, e comecei a ler uma crônica que falava de uma rosa.
   Encantado com o que lia, nem me dava conta de que estava voando sobre as nuvens; a dez mil metros de altura, segundo o comandante da aeronave.
   Quem me visse daquele jeito, diria que minto quando digo que tenho medo de voar.

   Mas ao enfrentar a primeira turbulência, tremi. E, bruscamente, interrompi a leitura, com o coração querendo sair pela boca.
    Pela janelinha do meu Boeing, vi que não atravessava nuvens espessas, escuras, zangadas...  Eram todas nuvens transparentes, tênues, amigas, generosas... Eram nuvens nordestinas.  
    Eu voava entre Salvador e Fortaleza, cortando um belíssimo céu de verão.
 
    Mais tranqüilo, voltei à revistinha, e continuei divertindo-me com a crônica que, como disse, falava de uma rosa.  Seu autor era um passageiro ilustre. Não lhe direi o nome.

    Com ternura, ele descreveu a sensação que sentiu ao encontrar, no toalete de uma avião, em pleno vôo, uma rosa. 
    E ressaltou: "Era uma rosa branca, aberta, fresca, bem-cuidada, e, sobretudo, bonita... que ali estava com a função de dar um toque feminino de carinho, graça e elegância ao avião."

   Ah, se nos toaletes dos aviões a gente sempre encontrasse uma rosa, e nunca uma bomba... 
   Com esse pensamento, preparei-me para o pouso, ouvindo a doce aeromoça dizer que um sol radiante me esperava em Fortaleza.

Felipe Jucá
Enviado por Felipe Jucá em 13/08/2006
Reeditado em 23/08/2013
Código do texto: T215420
Classificação de conteúdo: seguro
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Sobre o autor
Felipe Jucá
Salvador - Bahia - Brasil
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Felipe Jucá

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