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Inadequado

 Ela ouviu um ruído. Levantou apressadamente e correu até a sala acendendo a luz. Ouviu passos e caminhando lentamente até a porta, encostou a cabeça na parede tentando ouvir quem estava do lado de fora. Sua respiração era lenta, seu corpo suava. Estava em pânico. O medo era dilacerante.

 De repente ouviu por trás da casa um estrondo. Um vidro se espatifando. Era madrugada e lá fora o frio castigava. Não tencionava enfrentar a criatura, pois sabia que aquilo que queria pegá-la não era nem humano.

 Abriu a porta e saiu pela floresta, correndo desesperadamente, corria como nunca. Saltava os buracos, se esquivava das árvores, cada vez mais ofegante. Atrás dela os ruídos eram mais vivos. Ela sentia que já perdia as forças e já começava a gritar por socorro. Estava enlameada, estava cansada e faminta. De repente ela tropeça num galho e cai na terra molhada.

 Então era tarde demais. Olhou para trás e pôde contemplar o pior dos horrores. Ele andava sobre ela pisando em seu frágil corpo, sujo e ferido. Ela implorava por liberdade. Só queria viver, só queria sobreviver. Então ela tentou ficar de pé, mas levou um soco no maxilar. O golpe fez com que ela perdesse os sentidos e desmaiasse. Então ele a pegou pelos cabelos e foi puxando sua presa com toda a naturalidade de quem consegue o que quer com a facilidade com que se tira o doce de uma criança.

 Não demorou muito e ela acordou. Estava sendo arrastada pelos braços agora, sua veste rasgada, sua pele negra de lama, sua boca sangrando. Ela tentava gritar, mas nem tinha mais forças. Foi quando ele parou na beira do precipício, tirou uma faca de caça de sua cintura e cortou uma mecha de seu cabelo. Depois passeou com a ponta da faca em seu rosto vagarosamente abrindo um corte na sua face. Ela gemia baixinho, choramingava. Então ele retalhou seu corpo, brincando com seu sofrimento, com a sua dor, ele debochava de seu suplício, vendo a moça perder sua vida aos poucos. Sem ninguém para acudi-la. Não satisfeito com a tortura maquiavélica imposta, o algoz amordaçou a sua vítima e amarrou uma bigorna em volta de seu corpo e a fez caminhar até a beira do precipício, e perguntou com sua voz descomunal:

 Monstro do mau: mocinha, você tem algo a dizer antes de morrer? Hahahahaha

 Bia: sim, sim, eu juro que não assisto mais filmes de terror de madrugada.



Luiz Gonzaga
Enviado por Luiz Gonzaga em 13/08/2006
Código do texto: T215469
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Sobre o autor
Luiz Gonzaga
Juiz de Fora - Minas Gerais - Brasil, 34 anos
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