Capa
Cadastro
Textos
Áudios
Autores
Mural
Escrivaninha
Ajuda
Textos
Texto

QUANTO MAIS DIFERENTES, MAIS IGUAIS

Engraçado andar pelas ruas desta cidade completamente desconhecida, saber que não encontrarei nenhum rosto familiar, que as feições são totalmente diversas das que estou acostumada. Poderia ser deprimente, se eu fosse alguém com dificuldade em lidar com as diferenças. Mas não. O diferente não me causa estranheza ou espanto. O diferente me agrada.
Descubro em cada rosto diferente, em cada costume diferente, a beleza que consiste em ser humano. Esta a nossa grande resposta: a diferença. Esta também a nossa melhor característica. Quando entendemos que o outro é apenas diferente, dissolve-se diante dos nossos olhos os velhos conceitos do certo e do errado. Não estou fazendo apologia do relativismo. É evidente que o que causa prejuízo aos demais é erro.  Como também é verdade que o que causa benefício fica dentro dos parâmetros do correto. Não se trata de mudar os valores. Trata-se apenas de entender que se pode ser diferente sem, por esta razão,  fazer de alguém o dono absoluto da verdade.
Ser uma estrangeira em um lugar nos dá esta exata sensação: tanto mais nos tornamos diferentes, quanto mais somos ainda mais interessantes e belos. Talvez seja esta a reflexão que falte aos que invadem os países dos outros para impor-lhes sua própria noção de liberdade, de certo ou de errado. Talvez lhes falte aquilo que é crucial a sobrevivência do que há de mais humano em nós: a maleabilidade, a tolerância e, principalmente, a compreensão.
Sensação engraçada a de ser um estranho. Somos tão comuns e normais em nossa terra e tão habituados estamos a esta normalidade, que num primeiro momento de contato com outra terra e outra cultura, nos chocamos um tanto com a sensação de que o estranho somos nós. Conforme os dias passam, vamos nos dando conta de como somos adaptáveis e de como podemos nos tornar diferentes como eles. E, ao fim e ao cabo, tornando-nos diferentes, nos fazemos iguais.
Débora Denadai
Enviado por Débora Denadai em 02/06/2005
Código do texto: T21567

Copyright © 2005. Todos os direitos reservados.
Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor.
Enviar por e-mail
Denunciar

Comentários

Sobre a autora
Débora Denadai
Caracas - Distrito Federal - Venezuela, 54 anos
722 textos (154011 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 03/12/16 09:44)
Débora Denadai