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HOMO NOM SAPIENS

Homo nom Sapiens
         Dai Trigo para o Pão e Ethos em Grão para Compor a Boa Vontade

“Eu nasci pobre.Mas não nasci otário
Eu é que não caio, no conto do vigário”
                                    Charlie Brow Jr.

                                                                      Por que não é possível
                                                              O que não pode ser possível?
                                                                                      J.P. Sartre

O que temos feito de nossas vidas? Para que lugar estamos levando nosso mundo? Que tamanho tem o mundo? O Universo é o limite?
Falar em limites não é nada fácil. Afinal, o homem em sua caminhada desde o paleolítico até nossos dias, tem ousado desafiar o significado desta palavra. Tanto quanto desafiou, viu-se paralisado, impedido, cerceado – Mandrake , aí – por ela. Senhora de avanços e retrocessos que é.
A revista Scientific American – Brasil, nº 33 de fev 2005, traz na seção Ponto de Vista, escrita por Laura Knapp, uma análise bastante legal sobre a sociedade tecnocrática, senhora de tantas conquistas e fatalmente travada no episódio recente de trágicas conseqüências ocorrido no litoral asiático: “(,,,) chega a ser bizarro pensar – mesmo conhecendo os óbvios obstáculos políticos e econômicos – que podemos ir a Marte fotografar suas crateras desconhecidas, recebendo dados enviados por duas sondas a dezenas de milhões  de quilômetros de distância no espaço, e a informação de que ondas se formavam no meio do Oceano Indico  por causa do terremoto  não chegou a alguns milhares de quilômetros de seu epicentro. (...)”.
Transformamos o Espaço Natural em Espaço Geográfico, produzimos Paisagens Culturais, utilizamos os recursos naturais para a fomentação da geração de tecnologia, para a produção de novos formatos de geração de energia, iniciamos uma inexorável falência das possibilidades reconstituidoras da mãe Terra – A Terra tem esgotado sua capacidade de regenerar-se, mas, não construímos a possibilidade de travar – a ira? – e impedir a maioria dos fenômenos naturais. No desabafo de Laura Knapp, “ (...) cientes que somos de que a maioria dos fenômenos naturais não pode ser combatida, somente contornada (...)’”.
Ultrapassamos os limites. Avançamos. Estivemos também lesados, aquém e muito antes da linha limite. O que é verdade – aqui absoluta – é que estamos, sob o domínio – quem sabe autônomo – do limite.
Ë possível, estarmos falando de uma vontade autônoma, extra-humana, tecnocêntrica do desenvolvimento tecnológico? Ou será esta uma viagem limitada pela fé, religião, criatividade humana e/ou ainda pela má utilização dos recursos naturais?
Muitas indagações, que com certeza, teriam um sem número de especialistas, ávidos por oferecer respostas ou até um aumento exponencial do volume das dúvidas. O que é fato, e este tem sido verossímil e mortal é a atitude insana, insólita e amarga do ser humano em afastar-se das ações que poderiam ser classificadas de dignas. No processo de evolução do Rhamapithecus até o Homo erectus e deste até o Homo sapiens, toda a construção tem servido a quem? A que? A que mundo? A grande batalha empreendida pela OMS (Organização Mundial de Saúde), para a erradicação da poliomielite nas Américas e na África e Ásia – denominada Iniciativa de Erradicação Global da Pólio, com orçamento já consumido, de mais de U$ 3 bilhões e 15 anos de trabalho, encontra uma grande pedra no caminho, impedindo e prejudicando o sucesso já alcançado na América, “Alguns políticos e religiosos islâmicos, alegaram que a vacina desenvolvida e comprovadamente eficaz é um truque do Ocidente” -  contaminada com HIV ou com hormônios que tornariam as mulheres muçulmanas inférteis – Tirar a razão das autoridades descritas, não é possível, em em face da história controversa e covarde das relações OcidenteXOriente – Tal resistência, levou o surto a mais dez nações próximas que estavam livres da pólio há muitos anos.
O desenvolvimento da sociedade global  e a conseqüente interação entre culturas diversas, denominadas de Diversidade Cultural , têm permitido a este Homo sapiens que vos escreve, chegar a conclusões sinistras, qui çá, isoladas ou menos pertinentes, que estamos involuindo, volvendo a pedra lascada ou quem sabe a pedra lançada – hang t“em um recipiente limpo e de paredes lisas, um líquido muito puro pode ser aquecido além de seu ponto de ebulição sem ferver”, no entanto esta mesma civilização conseguiu reduzir a 5% a população autóctone desta Terra Brasillis, que era de 5.000.000 de nativos.
Descobriu-se recentemente que os corpos radioativos podem emitir certa quantidade de calor, cerca de 1 milhão de vezes maior que a envolvida nas mais violentas reações químicas, no entanto a população de diversos países africanos, morre, numa crescente progressão geométrica de Aids.
Os diversos programas sociais e o crescente aumento da preocupação mundial com políticas publicas em torno das questões de saúde, meio ambiente, educação e políticas de ações afirmativas, com vistas à melhoria da condição de existência das chamadas “minorias”, são uma prova da grande obra que pode ser provocada e produzida, pelos sapiens, gerentes da civilização mundial (podemos por em discussão que tais ações “existam” pelo fato de “existirem” distorções e estrangulamento de força nas relações interculturais, produzindo exacerbação , refrações e fragmentação de forças políticas, sócio-culturais e econômicas por conta do desequilíbrio). Em contrapartida, no dia a dia, dos seres humanos de vida comum, uma atitude reacionária implode os avanços por sobre os escombros produzidos pelos próprios agentes, atores e gerentes da civilização mundial:
Os ônibus não param para recolher os alunos e levá-los à escola pública pela manhã. Repetem a atitude ao fim da jornada de estudos diária, bem na hora do almoço e depois a tarde e a noite;
A direção de diversas escolas públicas, assoberbadas, com um cem número de problemas de ordem administrativa e econômica, não acata projetos no mínimo renovadores, donos de uma possibilidade exeqüível de re-inclusão escolar e social (Projeto Acelera Jovem);
Os gestores de projetos lindos e maravilhosos, iluminados pelos holofotes da mídia e das comunidades acadêmicas ligadas a educação, no recanto de seus escritórios acarpetados, com ar condicionado e água gelada não respeitam a idéia, insight que tiveram e desrespeitam aqueles que são “o pé e a mão” dos projetos: NÃO HONRANDO a data de seus salários, desonrando o mês trabalhado, rindo de certo, da necessidade que criam de forma a terem de desenvolver novos projetos num ciclo vicioso sem início e fim (Acelera Jovem - Viva Rio/Sec. Estadual de Educação do Estado do Rio de Janeiro/Fundação Roberto Marinho; Agente Jovem – Governo Federal/Governos Estaduais e Municipais);
Some-se a fixidez insolente e agressiva já comentada nos tópicos anteriores a capacidade destes gestores em pousar de helicóptero em solenidades, não fornecer aos incautos educadores sem a dignidade do salário, vale transporte e o amparo legal de um contrato de trabalho ou similar.

Com a capacidade de sentir a textura da areia da lua, de analisar as montanhas de Marte e também de observar os buracos negros, o homem, ousado transgressor de limites, não tem a capacidade de barrar, evitar, prever (de forma eficaz, tendo como  ponto de vista a possibilidade de  impedir a morte em larga escala) fenômenos naturais, tragédias provocadas pela insurgente mãe Terra a reagir com ferocidade e sinergia à dor das feridas -  Com a capacidade de desenvolver a criptografia quântica e também de saber a idade do universo, o homem não consegue erradicar doenças crônicas, epidemias e a pobreza de espírito, idéias e ideais. Dono de um processo involutivo de desrespeito, caminhamos a passos largos para um novo estágio o de Homo non sapiens.
Sylvio Neto
Enviado por Sylvio Neto em 02/06/2005
Código do texto: T21610
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Sobre o autor
Sylvio Neto
Belford Roxo - Rio de Janeiro - Brasil, 53 anos
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Sylvio Neto