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Organizações Não Governamentais e seu papel 

     Escrevi uma crônica onde dizia que as Ongs surgem pela ausência do Estado. Quero estender mais estas colocações. É verdade que muitas Ongs que atuam na Assistência Social têm seu surgimento pela ineficiência do Estado, e que são motivados por sentimentos espirituais, pela solidariedade humana. No entanto, deve ficar claro que embora algumas entidades cresçam, são geradoras de empregos e aglutinam várias atividades jamais se pode tirar o conceito de que, elas são colaboradoras, e não pode ser vista como sujeito, isto é, não se podem inverter os papeis, o que as Ongs fazem é responsabilidade do Estado. Por isso a sociedade paga impostos. Este é um ponto de reflexão. 

     Estas entidades sofrem o total descaso do poder publico. Sou diretor de uma entidade para tratamento de dependentes químicos e falo isto com total tranqüilidade, pois, participando de eventos como conferências, fóruns, seminários promovidos pela Assistência Social, vemos que nossas reivindicações são de quase todas as entidades participantes. As reclamações são sempre as mesmas; a falta de recursos financeiros, excesso de discurso, muitas diretrizes de políticas publicas, porem, na praticidade quase nada, pelo contrario, as entidades cada vez são mais espremida, exigidas e usadas pelo estado sem nenhuma contrapartida. 

     Qualquer cidadão que atua em tais entidades sociais, se revolta quando tem que assistir elementos que procuram fazer críticas infundadas, ou discursos demagógicos segundo seus patrões. Pessoas que ficam em suas salas de ar condicionado de seus gabinetes, em seus computadores de ultima geração dizendo isto, aquilo, fazendo projetos sem o menor conhecimento amplo da verdadeira realidade. 

     Então, volto a repetir, as Ongs que tem suas atuações direcionadas à Assistência Social, devem ser respeitadas tanto quanto seus dirigentes, porque elas são conduzidas por pessoas sérias, e que muitas vezes também acabam sendo descriminadas por ter o seu publico pessoas marginalizados e excluídos. Exceções não pode ser consideradas regras. 

     É comum, vermos moradores de rua, alcoólatras, usuários de drogas perambulando pelas ruas sem qualquer assistência do estado, ver a sociedade reclamar que ninguém faz nada, jogando a responsabilidade para o Estado – e com total razão. Porém, quando determinadas entidades os acolhem procurando restaurar a dignidade destes excluídos, marginalizados, abandonados esta mesma sociedade acusarem tais entidades de corruptas, que usam este publico para enriquecerem, se promoverem politicamente. Enfim, serem rotuladas de aproveitarem destas “pobres almas”; almas estas que a sociedade exclui e cobra atitudes. 

     No entanto, também precisamos dizer que há outras Ongs, que tem objetivos completamente diferentes. Não são entidades ligadas diretamente a assistência social e sim, entidades constituídas que atuam na defesa dos direitos humanos, Meio Ambiente, etnias, raças enfim, entidades das mais diversas modalidades e fins. 

     Estas entidades merecem também todo o respeito, pois, a sociedade dentro de suas especificidades procura dar sua contribuição colaborando na construção da cidadania, defender os diretos diversos dos cidadãos, fiscalizarem os poderes constituídos, ou mesmo ser colaboradoras deles. Desta maneira, é legitima o apoio financeiro do Estado para todas as Ongs indistintamente. É fundamental que as entidades não sofram preconceitos tanto dos poderes públicos, quanto da sociedade, pelo contrario, o Estado colabore através de ações efetivas a divulgação das Ongs para que a sociedade de um modo geral conheça e integre-se também nelas e assim, possa desenvolver sua cidadania. 

     Delegar poderes ao estado, não significa a sociedade civil abrir mão de construir, de reivindicar, de fiscalizar. Afinal todas as leis, as políticas públicas de certa maneira passam pelo crivo e aprovação da sociedade civil que é representada pelas ongs.
Ataíde Lemos
Enviado por Ataíde Lemos em 15/08/2006
Reeditado em 16/08/2006
Código do texto: T217269
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Sobre o autor
Ataíde Lemos
Ouro Fino - Minas Gerais - Brasil, 51 anos
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