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Mulheres

       
        Há 5 mil anos elas se revoltaram.
        Descobriram que ser arrastadas pelos cabelos para dentro de uma caverna não era nada parecido com uma limusine na porta de casa, um Leonardo de Caprio lhe estendendo a mão e abrindo a porta ao invés de um cabeludo gordo lhe ameaçando com um bastão. O barulho dos morcegos roncando não lembrava um Kenny G e a água empoçada da ultima chuva não era nada parecido com um champagne francês. Os 3 minutos de coito e a baba que escorria do canto da boca do troglodita enquanto grunhia barulhos estranhos que lembravam o parto de uma ovelha “urigh, urigh”, não eram a performance de 52 minutos ininterruptos de seu amante porto riquenho e os carinhos que ele lhe fazia na nuca enquanto sussurrava a seu ouvido canções de Julio Iglesias.
Enfim, se revoltaram porque desfiar um carneiro com uma pedra lascada e assa-lo na brasa do mato queimado não era comprar carne congelada, fazer arroz no microondas e assistir um programa de culinária enquanto ao telefone falava com a Marcinha sobre a separação do Régis e da Maria Alice.
E foi por isso que muitas delas chegaram aonde estão.
Claro que muitas delas não tiveram essa percepção toda e ainda continuam escravas do mundo masculinizado. Seja sendo submissa nos afazeres domésticos, não tendo oportunidades na vida profissional por medo e acanho, ou mesmo fingindo um orgasmo por medo da reação do marido.
Mas as que conseguiram escapar das garras do homem, as que conseguiram fugir de casa e abandonar a família, as que conseguiram ser algo mais na vida do que frentistas de um posto de gasolina, enfim, as que conseguiram morar sozinhas, ter sua bolsa de coro de lagarto, seu celular com toque da Britney Spears, seu próprio carro, mesmo que amassado na lateral pelo descuido do portão elétrico que não olha por onde anda, aquelas que conseguem escapar de cantadas inescrupulosas, malvadas e sarcásticas do tipo “eu te amo, pode ser só a cabecinha?”...Essas são as mulheres independentes, corajosas, audaciosas e revolucionarias que andam tornando a vida de nós, seres humanos do sexo masculino, um pouco mais difícil do que possa parecer, mas não menos engraçada.
Afinal de contas, se elas chegaram onde estão, não foi com a nossa ajuda. E talvez por isso, nós, homens, estejamos nos tornando cada vez mais vagabundos, preguiçosos e ociosos. Já que elas querem tanto direitos iguais, pois que tenham.
Que comecem a trocar as lâmpadas, arrumar o encanamento da cozinha, consertar o liquidificador que ela mesma ligou no 220 quando o mesmo era 110. Que comecem a fazer os churrascos de domingo, a lavar o carro, cortar a grama da casa de praia, aturar o chefe gordo que fede a wisky e a secretaria de 198 anos que ela insiste em chamar de atraente.....Que desentupam o vaso sanitário também, e que matem todas, mas todas as baratas que aparecem na casa enquanto nós subimos na mesa.
Que elas comecem a descobrir os prazeres e desprazeres dessa igualdade que tanto almejam.
Mas lembre-se meu amigo....
        Que sejamos iguais, mas nunca inferiores, pois se isso acontecer será o fim da raça humana do sexo masculino.
Seja forte !
E antes que eu me esqueça, nunca deixe-a ter o domínio sobre o controle remoto.
Agora vou indo. Tenho que fazer a feira da semana, pegar a Fifi no petshop e buscar a irmã dela na rodoviária.
O que será que preparo para a janta?
Brum
Enviado por Brum em 20/08/2006
Código do texto: T221022
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Sobre o autor
Brum
Palhoça - Santa Catarina - Brasil, 34 anos
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