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ALEGRIA, ALEGRIA

                         ALEGRIA, ALEGRIA


        E se de repente, não mais que de repente (lindo, não?), a gente se sentisse feliz? Como explicar, não a alegria momentânea, mas o seu surgimento repentino? Seria algo falso? Às vezes precisa-se, por contingência de situações variadas, não só manter as aparências, como mudá-las se não são as mais adequadas. Busca-se um lado não cômico, mas não menos teatral, para representar um papel. Muitos fazem isso, e com grande sucesso.

Seria errado? Ora, o conceito de certo ou errado, na maioria das vezes, depende da opinião e do momento de cada um. É extremamente subjetivo. Questiona-se se a mentira (seria uma mentira?) é válida. Alguns dizem que nada a justifica; outros, porém, dizem que depende do objetivo.

Questionado por alguém em fase terminal de vida quanto a sua situação, você mentiria ou diria a verdade? Não vale tergiversar. Sempre você assume para os entes mais queridos – pais, irmãos, filhos, cônjuge, amigos, etc – todas as suas convicções e opções de vida? Quer diga “sim”, quer diga “não”, veja sempre que pode haver um outro lado, uma outra resposta, que deve ser levada em consideração. E que você não passou ainda por todas as situações possíveis, em que se veria frente a tal dilema (o trilema, que inclui o tergiversar, está descartado); portanto, só poderá emitir uma opinião relativa a este momento.

Então, fujamos dessa “sinuca de bico”. O que interessa é que a alegria nunca é eterna, perene. Ainda bem que também assim não é a tristeza, a melancolia. Ambas vão e vêm, vêm e vão, alternado-se. Como elas surgem pode ser o X da questão. Forçadamente? Se se referir à tristeza, creio tratar-se de chantagem; se se fala da alegria, creio em outros motivos. Muitas pessoas pensam que só se entrosam com os demais se se destacarem. Então usam de humor e alegria forçados. Tornam-se chatos, irritantes. Mas há outros que forçam a alegria para si mesmos, porque crêem que a mudança de estado de espírito depende de cada um, que podem provocá-la. Criam uma força interior, algo que enleva e leva ao estado buscado. Quanto mais forçam, mais conseguem e, quanto mais conseguem, mais se sentem felizes devido à realização.

Independente do tipo, o que importa é a alegria. Por vários motivos, para várias finalidades. Deve-se vibrar com tudo, mas o mais agradável é ver alguém se esbaldar com o sucesso alheio. É uma forma de compartilhar do mesmo, pois serve de incentivo. E esse altruísmo contagia a todos. Há pessoas assim: ficam tão felizes com o próximo quanto consigo mesmas! São o máximo que se deseja. “Se todos fossem iguais a você / Que maravilha viver...”

O que nos torna mais felizes: amar ou ser amado? Há poetas que cantam, maravilhosamente, a melancolia do amor. Ótimo, enquanto criação poética. Entretanto, amor é felicidade, seja doando ou recebendo, melhor ainda se houver a mão dupla. Claro que a falta de reciprocidade causa, no mínimo, tristeza. Mas está-se falando da presença do amor e não do contrário.

Outra alegria é ver que consegue fazer alguém feliz. Quando alguém elogia a sua presença, o seu astral, é sinal de que você está realizando o ideal da convivência humana. É perigosa, porque não se nega a fugacidade dos sentimentos. E se se magoa ou decepciona alguém que outrora lhe tinha admiração, a dor é maior. Mas, assim como ninguém é feliz o tempo inteiro, também não se é perfeito a todo instante. Acontecem falhas alheias que nos soam gritantes; acontece que lhes impingimos o rótulo de perfeitas, não lhes permitindo a menor falha sequer. É desumano.

Mas o melhor mesmo da felicidade é a capacidade de agradecer ao outro o prazer que nos proporcionam. Enquanto tivermos essa capacidade, não perderemos a chance de nos deleitarmos a cada instante.
                                                  03/07/05

Pabinha
Enviado por Pabinha em 20/08/2006
Código do texto: T221334
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Sobre o autor
Pabinha
Belo Horizonte - Minas Gerais - Brasil, 51 anos
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