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LINHA DA VIDA *

             
                                                   



            A cidade assiste tristemente os vagabundos nos biongos abraçados, se defendendo do frio, enganando a fome, imunes ao cheiro azedo de suor impregnado nos farrapos, unidos pelo instinto de preservação, compartilhando o calor que os preservam. Ao lado,  amontoados,  papeis velhos exaustivamente colhidos de casa em casa, de lixo em lixo, de pedido em pedido, de raiva e repugnância.
          A cidade assiste tristemente o diálogo dos homens importantes, defendendo ponto de vista, discutindo soluções, negociando cargos, fazendo promessas, baseando-se em sistemas, análises,pós-graduações, simpósios, e nas leis dos homens importantes.
          A cidade assiste tristemente os meninos nas ruas correndo da repressão, correndo da fome, correndo para o vício, correndo para a prostituição, dirigindo-se irremediavelmente para as garras protetoras das instituições dos homens importantes.
          A cidade assiste tristemente os indivíduos  sem nome que pisam apressados por cima de tudo, uns atropelando outros, apesar dos meninos de rua que correm famintos pelas avenidas da cumplicidade.
          A cidade assiste tristemente o destino de seus filhos, levanta os olhos, e finge não ver no horizonte, por detrás dos obstáculos de concreto, o limiar da luta de seu povo.

                                                                                                         
 * Extraído do E-Book A PORTA DA PALAVRA publicado neste site
Humberto Bley Menezes
Enviado por Humberto Bley Menezes em 23/08/2006
Reeditado em 26/08/2006
Código do texto: T223461
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Sobre o autor
Humberto Bley Menezes
Curitiba - Paraná - Brasil
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