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SERMÃO PARA O DIA DAS MÃES (E NÃO MÃES)

  Caros irmão e irmãs,  gostaria de frisar a  minha não  concordância, que sejam apenas dedicados os segundos domingos de maio de cada ano, para homenagear as  mães. Acredito eu ,que deveriam ser todos os dias do ano. O  gesto  e a  luta da Anna  Jarvis, foi uma   coisa extraordinária, embora ,a história tenha registrado que, a mais antiga comemoração dos dias das mães é mitológica. Na Grécia antiga, a entrada da primavera era festejada em preito de Rhea, a Mãe dos Deuses. O grande Imperador Napoleão Bonaparte, também homenageou as mães ,neste caso ,as da França. Isto ocorreu quando uma mãe solicitou-lhe para que  o seu único filho fosse dispensado da convocação para as guerras. O Imperador,após a saída da mãe,virou-se para os seus súditos e disse:Vamos homenagear todas as mães da França ,afinal de contas são elas as responsáveis pela geração dos nossos soldados e heróis.
   Devo ressaltar que, o período compreendido entre o domingo de páscoa até o segundo domingo de maio,é o melhor período, no qual, muitas mães ficam felizes.São elas:As mães dos publicitários; as mães dos industriais; as mães dos lojistas   e dos camelôs.  É justamente neste período em que há um grande faturamento. A indústria é aquecida com a fabricação de diversos produtos, que serão vendidos com a finalidade unicamente de serem  transformados em presentes que ,serão dados para as mães no único dia oficialmente dedicado a elas. E as mães presenteadas também ficarão felizes com certeza.
  Isto posto,dá para verificarmos hoje em dia, que a data dedicada às mães, não passa de uma demanda comercial e consumista na economia globalizada dos países capitalistas. A própria Anna Jarvis ficou feliz por ter o seu sonho realizado, mas ironicamente, disse que o Dia das Mães se tornou uma data triste para ela. A massificação do feriado fez com que a data se tornasse um ícone lucrativo para os comerciantes, principalmente aqueles que comercializavam cravos brancos, flor símbolo da maternidade. "Não criei o dia das mães para ter lucro",disse furiosa quando entrevistada em 1923. Entrou   com um processo neste  mesmo ano para cancelar o Dia das Mães, mas não logrou sucesso. Existe alguma semelhança com os dias de hoje?
  Para iniciar a minha mensagem, primeiramente contarei três histórias interessantes, para que elas sirvam de reflexão e de lição para todos nós e que também sejam utilizadas como paradigmas em nossas vidas.
                               Primeira história:
   E a mulher concebeu à  luz um filho;e,vendo que era formoso,escondeu-o por três meses.
  Não podendo, porém, escondê-lo por ,mais tempo,tomou um cesto de junco,calafetou-o com betume e piche e,pondo nele o menino,largou o no carriçal à beira do rio.
   A Irmã do menino ficou de longe observando o que lhe haveria de suceder.
   Desceu a filha de Faraó para se banhar no rio, e as suas donzelas passeavam pela beira do rio; Vendo ela o cesto no carriçal enviou a sua criada e o tomou.
   Abrindo-o viu a criança; e eis que o menino chorava. Teve compaixão dele e disse: este é menino dos hebreus.
  Então, disse sua irmã à filha do Faraó: Queres que eu vá chamar uma das hebréias que sirva de ama e crie a criança?
  Respondeu-lhe a filha do Faraó: Vais. Saiu, pois,a moça e chamou a mãe do menino.
                                 Segunda história:
E disse-lhe uma das mulheres: Ah, meu senhor! Eu e esta mulher moramos na mesma casa; e tive um filho, estando com ela naquela casa.
E sucedeu que, no terceiro dia depois de meu parto, também esta mulher teve um filho. Estávamos juntas; nenhuma pessoa estranha estava conosco na casa; somente nós duas estávamos ali.
Ora, durante a noite morreu o filho desta mulher, porquanto se deitara sobre ele.
E ela se levantou no decorrer da noite, tirou do meu lado o meu filho, enquanto a tua serva dormia, e o deitou no seu seio, e a seu filho morto deitou-o no meu seio.
Quando me levantei pela manhã, para dar de mamar a meu filho, eis que estava morto; mas, atentando eu para ele à luz do dia, eis que não era o filho que me nascera.
Então disse a outra mulher: Não, mas o vivo é meu filho, e teu filho o morto. Replicou a primeira: Não; o morto é teu filho, e meu filho o vivo. Assim falaram perante o rei.
Então disse o rei: Esta diz: Este que vive é meu filho, e teu filho o morto; e esta outra diz: Não; o morto é teu filho, e meu filho o vivo.
Disse mais o rei: Trazei-me uma espada. E trouxeram uma espada diante dele.
E disse o rei: Dividi em duas partes o menino vivo, e dai a metade a uma, e metade a outra.
Mas a mulher cujo filho em suas entranhas se lhe enterneceram por seu filho, e disse: Ah, meu senhor! Dai - lhe o menino vivo, e de modo nenhum o mateis. A outra, porém, disse: Não será meu, nem teu; dividi-o.
Respondeu, então, o rei: Dai à primeira o menino vivo, e de modo nenhum o mateis; ela é sua mãe.
                            Terceira História
   Em uma grande cidade da Itália, havia um casal que tinha dois filhos. O pai era escritor ativista político. A mãe era uma atriz em início de carreira. Em razão das atividades políticas, o pai teve que se mudar para uma cidade provinciana para fugir das perseguições políticas. Por sinal a região interiorana é muito bonita. Eu as vi através de fotos mostradas por um dos personagens desta história.Há montanhas muitos verdes na primavera e que ficavam brancas e cheias de neves no inverno.Também há um rio que forma um lago, cujas águas passam sobre um paredão de rochas fazendo belas quedas   formando cataratas e, logo após elas o rio segue o seu curso normal. Segundo informações dadas, o rio tinha o seu curso normal no pequeno talvegue, mas no passado, houve um tremor de terra e blocos de rochas foram deslocados para o vale onde é o leito do rio, por isso, se formou um grande lago no vale.
  Nesta ida para o interior, o pai foi acompanhado com os dois filhos, já que a mãe dissera que não abriria mão da sua carreira e, em razão disso, abdicou-se de todos.
  Tanto pai e filhos, só tinham notícias da mãe através dos artigos de jornais e revistas.
  Um dia os garotos cresceram, tornaram-se homens feitos e foram para a cidade grande, com o fim único de darem prosseguimentos nos seus estudos. Numa destas coincidências da vida , havia na cidade uma peça em cartaz e a atriz principal ,era a mãe  dos então, jovens, os filhos abandonados por ela quando eles ainda eram crianças. Eles compraram  ingressos, assistiram à peça e,sem se identificarem, conseguiram permissão para realizar uma visita ao camarim da então, grande atriz. Entre conversas e outras, eles perguntaram se ela nunca havia tido filhos no passado. Ela lhes respondeu de bate pronto: Nunca tive filhos e jamais os terei.  Para a minha profissão seria um atraso de vida e, eu não estragaria a minha carreira por eles. Sem se identificarem  a ela, eles agradeceram e não mais a procuraram.
  Meus queridos irmãos e irmãs, a primeira história é verdadeira e encontra-se narrada no livro de Êxodos no capítulo dois do versículo dois ao sete. É a história de Moisés e da mãe dele que, para livrá-lo de ser executado pelos soldados do Faraó , montou uma logística com todos os cuidados ,na tentativa de salvar o seu filho. Podemos até dizer que este ato já fazia parte dos desígnios de Deus, mas, apenas quero demonstrar a importância do ato e a correlação inversa para os dias de hoje,onde vemos mães atirando seus filhos nas águas para cometerem o infanticídio,como o caso da lagoa da Pampulha em Belo Horizonte.De mães que abandonam os seus filhos próximos a locais  ermos sem nenhuma condição de sobrevivência para eles.Mães que jogam seus filhos, ainda vivos ,nas latas de lixo ou coisas similares.No Norte e Nordeste,vemos mães que levam seus filhos para a prostituição, e ,que os vendem para este fim ,como mercadorias. Isto foi mencionado recentemente em uma reportagem de  televisão.
   Não temos paradigmas para julgarmos essas atitudes cometidas por essas mães. Podemos classificar no âmbito da crueldade humana; podemos classificar no âmbito da loucura humana; podemos classificar no âmbito do desespero humano. No âmbito da crueldade teríamos que penetrar profundamente na mente humana para podermos descobrir os motivos dessa crueldade. O mesmo procedimento deveria ser utilizado para a loucura e, idem para o desespero. Não tenho argumentos para discorrer sobre os assuntos.
    A segunda história está narrada no Livro de I Reis, capítulo 3 do versículo 23 ao 27 , onde mostra o desespero da mãe que perdeu o seu filho e  utilizou-se de uma maneira vil para roubar o filho da outra. Mostra também o desespero da mãe que, teve o seu filho roubado, diante da ordem do rei, e a crueldade da mãe que lhe roubou o filho preferindo, que se cumprisse a ordem do rei,cujo egoísmo a faria feliz já que nenhuma das duas teriam os seus filhos vivos. Graças a Deus a sabedoria do rei, neste caso o rei Salomão, foi divina no veredicto deste caso. Existe alguma correlação com a dona Vilma de Goiânia, que tirou bebês de outras mães para satisfazer o seu ego com o fim único de prender o seu marido? Existe alguma correlação com juiz e conselheiros tutelares que, às vezes acabam tomando decisões equivocadas e prejudicando mães e filhos? Reflitam,  meus caros irmãos e irmãs.
   A terceira história foi contada a nós, por um dos filhos que, por coincidência é um grande amigo nosso, professor, sacerdote, o Padre Augusto, Italiano que foi pároco durante anos na Cidade de Santa Maria da Vitória ,  no interior da Bahia.
   Esta última história já entra na esteira do mundo globalizado onde a sociedade consumista impõe regras cruéis para o ser humano, fazendo com que as mães, por circunstâncias, sejam parcialmente mães. Ou optam por abdicarem completamente da função materna, caso verificado pela mãe mencionada na última história..
    A sociedade consumista e escravagista leva as mães a exercerem a maternidade, parcialmente. As mães modernas ,  em razão da demanda desta sociedade capitalista consumista e globalizada, e têm que dividir as suas tarefas com as babás, com as creches, com os professores das escolas, com os professores das academias ,com  os professores do curso de inglês,com as tias,com as avós,com  os irmão mais velhos, com os vizinhos e, de acordo com a classe social ou circunstâncias, na impossibilidade das alternativas citadas, a rua transforma-se na maior creche comunitária, aquela que poderá trazer consequências danosas para estes filhos em seus futuros.
   Existem também aquelas mães que tiveram o seu direito de ser mães tirado pela violência do tráfico e das drogas; pela violência urbana e rural no sentido geral;pela marginalidade que sequestram os seus filhos;assassinados pela polícia despreparada;pela falta de saúde e de assistência do Estado;pelos pais poderosos que ganham sempre a guarda destes filhos;ou assassinados por pais ciumentos e vingativos em função de separação;e pelas próprias mães que abdicaram pelo  direito de serem mães como no caso da terceira história.
    Para não mais me alongar,  gostaria de saber dos filhos, hoje, inclusive aqueles que são políticos ou que serão um dia. Não está na hora de se criar uma política que possa fazer com que as mães possam estar mais próximas dos seus filhos e, ou passar um tempo maior para monitorar os seus passos até a idade em que eles possam caminhar com mais segurança? Nós como filhos, o que de fato temos feitos para que as nossas mães se sintam homenageadas em todos os 365 dias do ano? E as mães?. O que vocês têm feito em favor de si mesmas, para que se reverta este quadro de desigualdade existente neste mundo atual e nocivo?
   Caros irmãos e irmãs, peço que reflitam bem neste sermão, que talvez tenha sido chato em demasia, mas eu precisaria mostrar alguns pequenos exemplos de como ser mãe na plenitude do ser. De como ser mãe parcialmente na plenitude do ser e,circunstancialmente. E também de como não ser mãe em nenhuma plenitude.
   Desejo um feliz dia das mães, para todas as mães verdadeiras do Brasil e do mundo. Ser mãe não é tarefa fácil hoje em dia, por isso elas merecem o nosso aplauso e carinho.
AMÉM A TODOS.

SERMÃO ESCRITO POR DEÍFICO
colaborador  do Blog LIRIO URBANO
 
DEÍFICO
Enviado por Jota Kameral em 03/05/2010
Reeditado em 08/05/2012
Código do texto: T2234702
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Jota Kameral
São Paulo - São Paulo - Brasil, 56 anos
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