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Amar a todos ao mesmo tempo ou destruir o mundo...

No filme “Stalker”, de Andrei Tarkovsy, num diálogo maluco entre os três personagens principais, que estão perdidos numa zona misteriosa, pós-apocalíptica, um deles questiona a capacidade de uma pessoa amar e odiar. Um dos personagens diz que não é impossível uma pessoa odiar ao mundo todo ou amar a todos. Discutia-se ali sobre a possibilidade de governantes fazerem mal a todos de um país, ou alguém amar a todos indistintamente.

Reinhard Kammer, no livro “O Zen na Arte de conduzir a Espada”, esbarra na mesma questão, e diz que sim, é possível alguém multiplicar o seu ódio ou o seu amor infinitamente. Ele faz uma analogia com o brilho do luar refletido nas águas – em um copo ou no mar. A lua nada ganha ou perde se sua imagem for refletida em todos os oceanos, lagos, rios, ou numa só poça de água. Assim é o coração do homem, que pode espalhar (ou espelhar) amor indistintamente a todos ou a um, sem prejuízo algum.

Assim como a lua se reflete, independente da água ser poluída, imensa ou contida em um copo, o coração do homem equilibrado não distingue as pessoas por cor, etnia, religião, etc. Entretanto, como chegar a este equilíbrio? A resposta é uma só: Amadurecimento. E isto se consegue, segundo Kammer, quando a pessoa elimina a dúvida, aí nada teme. Um exemplo: Um nadador experiente enfrenta o alto mar e sabe como agir para não se afogar.

Quem chega a esse estágio adota uma tática vitoriosa: Esperar no ataque, atacar na espera. Quando o coração está embebido na maturidade, quando já não mais vacila, nada teme. O guerreiro deve se adaptar ao oponente na luta, enfrentá-lo do jeito que este se apresenta. Mantendo o coração sereno permanentemente será vitorioso.

Aquele que consegue compreender e alcançar a essência do seu próprio coração está apto a, de fato, amar a todos. Assim como a lua é refletida em todas as águas, indistintamente, a bondade pode ser reflexiva. O inverso também é verdadeiro.

Voltando ao filme de Tarkovsky. Seria possível, sim, alguém fazer mal a todo o mundo. Quem tem o coração ancorado na maldade é capaz de odiar a todos, destruir tudo, inclusive a si mesmo, que o digam os bélicos. Estes, quando apelam para a guerra, causam desgraças para o seu oponente, mas também atrai ódio para seu próprio povo; assim como o industrial ganancioso, que polui a sua cidade, respira igualmente do mesmo ar. É certo que a ganância cega, origem do mal. Mas isso já é outra conversa.
Célio Pires de Araujo
Enviado por Célio Pires de Araujo em 23/08/2006
Reeditado em 24/08/2006
Código do texto: T223556

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Sobre o autor
Célio Pires de Araujo
São Paulo - São Paulo - Brasil
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