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B O N S T E M P O S

 
Inexorável! Eta! palavrinha bandida! Se aplicada à trajetória da vida humana, dá um misto de esperança e alerta. Esperança concernente à juventude, o que é natural. Alerta, aos mais velhos. Quando inclusa na tradicional e repetida frase: “A inexorável marcha do tempo”, misturam-se aquelas expectativas e reações acima escritas, mesmo constatando-se redundância, pois, a marcha do tempo, por si só, é inexorável. Na juventude, a misturança dos dois termos peala, fundamentalmente, aos desatentos, aos que não estão alertas, minado-lhes a esperança, ou mesmo, dificultando, àqueles, seu vislumbre. Aos “jovens a mais tempo”, cabe o permanente estado de atalaia, para que não sintetizem que os “Bons Tempos” somente ocorreram na sua juventude. Seria desistir da vida. O processo das modificações do ser humano na face da Terra, esse sim é inexorável. E, em todas as épocas, sempre houve Bons Tempos. Certamente, a diferença, por óbvia, é esta: às vezes não nos apercebemos que estamos vivendo em Bons Tempos e, ao chegarmos na idade adulta, vem a constatação. Exemplo pessoal: em determinado período da minha juventude, quando se estava “mal dos pilas uma barbaridade”, aos sábados à noite, com alguns amigos, íamos até a Praça da Alfândega, em Porto Alegre, e comprávamos um “pernil” no “Mateus” (lanchonete/restaurante ali existente na época). Saíamos com aquele enorme sanduíche de pão com carne de porco (pernil) e outros ingredientes e caminhávamos até o bairro Floresta (+ ou – três Km. do centro). Íamos pela Av. Farrapos, algumas vezes, e outras tantas pela Av. Cristóvão Colombo. Conversa vai, conversa vem, entre generosas dentadas no pernil, lamentávamos, uma ou outra vez, não podermos ir ao Baile da Reitoria ou a alguma “reunião dançante”. Como poderíamos imaginar que estávamos em pleno gozo de Bons Tempos se, mal passadas quatro décadas, é simplesmente perigoso e assustador fazer à pé tal trajeto? Então, quando e como é possível identificar o tal de “Bons Tempos”? O meu falecido pai dizia que Bons Tempos foi o do carnaval de rua das décadas de 30/40. E o que diria o meu avô (que não conheci) ? Será que Bons Tempos só “ocorrem” no passado? Bueno, aí tchau e benção para a esperança. Ambigüidade, esperança e alerta. Se esta crônica servir, aos leitores,  para reflexão, terei tido um momento de “Bons Tempos”. Estou, inexoravelmente, alerta e esperançoso para que assim seja.
 
Cláudio Pinto de Sá
Enviado por Cláudio Pinto de Sá em 24/08/2006
Código do texto: T224530
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Sobre o autor
Cláudio Pinto de Sá
Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Brasil, 69 anos
163 textos (23327 leituras)
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Cláudio Pinto de Sá