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D E J E I T O N E N H U M

 
Em 1982, na Califórnia da Canção Nativa, de Uruguaiana, foi apresentada a canção não podemo se entregá pros home, letra de autoria de Humberto Cabbi Zanatta. O refrão desta composição diz: “Não podemo se entregá pros home, de jeito nenhum, amigo e companheiro, não tá morto quem luta, e quem peleia, pois lutar é a marca do campeiro”. Pode-se identificar, naquele linguajar, uma “baita” mensagem de otimismo e perseverança: não se entregar jamais. E, se a tal marca do campeiro, é centrada nesse princípio, utilizá-la deveria ser corrente na sociedade. Tristemente alguns “guerreiros”, que têm em mãos a arma mais adequada para certos combates, ao invés de utilizá-la, “negam fogo” e, muitas vezes, pulam a taipa e bandeiam-se para o outro lado. A arma que ora saliento é a “pena”, a caneta ou, mais precisamente, a decisão política de respeitar a lei, a constituição e, até mesmo, uma singela conta de matemática. E por que não devemos nos entregar  de jeito nenhum? Porque esta é a nossa sina. Atentemos para o exemplo que segue. Antecipadamente, solicito que nenhum “técnico” em finanças explique alguma coisa. A explicação será mais torturante do que a realidade. Em 1954 entrei no primeiro ano do (então) primário. Um ano depois eu já sabia “fazer contas”. A dona Cecília (que Deus a tenha), professora do Grupo Escolar Daltro Filho, de Porto Alegre, nos ensinou (também) a conta de “vezes”. Assim, se tivéssemos o número 300 e o multiplicássemos por 2 (duas vezes trezentos), teríamos 600 como resultado. Passado mais de meia centúria, noto que a multiplicação foi alterada. Até abril/2006, um aposentado do INSS que recebesse R$ 600,00, estaria ganhando 2 (dois) salários mínimos que, na ocasião, era de R$ 300,00. Em abril/2006 o salário mínimo passou para R$ 350,00. Pronto. Feita a lambança! Quem acha que 350 “vezes” 2 (dois) é R$ 700,00, está enganado. Saudosa Dona Cecília, me perdoa. Mas, 2 vezes 350 é igual a 657. Pelo menos foi o que creditaram na conta bancária de um aposentado amigo meu. E pensar que um político, declaradamente (ou descaradamente?) corrupto, foi cassado e, no outro dia, pediu (e levou) uma aposentadoria de R$ 8.500,00! O Brasil tem mesmo de conviver com essas aberrações? Eu respondo que não, pois não tá morto quem luta e quem peleia. E não se entregá pros home, de jeito nenhum, é jamais perdermos de vista o cuidado e a aplicação com o estudo, a educação e o ensino, na formação de uma geração de humanos pensantes dispostos a moralizar nosso país. Diz o último verso da canção: “o velho taura dá de rédeas no seu eu / e esporeia o futuro com bravura. “Esporeia o futuro com bravura”! Se entregá pros home também pode ser glamourizar o ilícito. Isto, de jeito nenhum, amigo e companheiro.
 
Cláudio Pinto de Sá
Enviado por Cláudio Pinto de Sá em 24/08/2006
Código do texto: T224536
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Sobre o autor
Cláudio Pinto de Sá
Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Brasil, 69 anos
163 textos (23327 leituras)
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Cláudio Pinto de Sá