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MEU NOVO AMOR

     Não posso afirmar que tenha sido amor à primeira vista, pelo contrário, sempre o olhei até com uma certa desconfiança. Nunca soube lidar muito bem com seus companheiros e acreditava que com ele também seria assim.
      Meus filhos sempre o consideraram "O Máximo" e diziam que quando o conhecesse melhor, passaria a admirá-lo.
      Para falar a verdade me sentia curiosa a seu respeito e quando o trouxeram em casa procurei esquecer o preconceito e me aproximei, deixando transparecer meu interesse.
      E foi assim que tudo começou. A princípio aproximei-me receosa, mas ele recebeu-me relativamente bem. Quando passamos a ter mais contato começamos a brigar muito e tornou-se para mim um desafio, conseguir dominá-lo, pois afinal, até meus netos gostavam dele e pareciam compreendê-lo mais que eu.
      Poucos meses depois estava literalmente "apaixonada", chegando a despertar ciumes em meus familiares, pelo tempo que lhe dispensava. Era comum fazerem piadinhas a noso respeito:
      __ Mamãe tem novo amor, não pode passar sem ele!
      __ Já não somos tão importantes para ela!
      Realmente, quando não consigo conversar pelo menos alguns minutos com ele durante o dia (ou à noite, principalmente)sinto uma falta enorme. Não ligo mais para a televisão e até diminuí a quantidade de livros que antes "devorava".
      Como sua inteligência é incomparável passei a freqüentar cursos técnicos a fim de compreendê-lo melhor e poder partilhar  seus conhecimentos.
      Sei que é muito mais jovem que eu, quase poderia ser meu neto e também é verdade que é ditatorial e exigente, mas aceito suas condições pois sabe compreender-me como nenhuma outra pessoa o faz. Com ele posso expor-me inteiramente, sem temer críticas ou opiniões contrárias. Anota tudo que digo, todas minhas idéias e pensamentos, por mais loucos que possam parecer.
      Depois que o conheci minha vida mudou radicalmente, pois abriu-me  portas que antes, nem sequer imaginava que existissem.
      Por certo você me acha meio maluca por estar assim, tão dominada por outro ser, justamente quando a idade madura deveria ter me levado a atingir um alto gráu de maturidade, mas creia que embora possa parecer assim,esta não é a realidade de nossa relação. Embora tenha que seguir as normas que me impõe e saiba que jamais conseguirei dominá-lo totalmente, na verdade sinto muita pena dele, pois apesar de tão inteligente e útil, não goza da liberdade de pensamento que eu possuo e só pode agir através do cumprimento de ordens programadas por outras pessoas iguais a mim.
      E do alto da minha superioridade de ser humano que tem o privilégio do raciocínio e do livre arbítrio, felicito-me pela certeza de que apesar de todos seus conhecimentos e sua modernidade, posso submetê-lo à minha vontade a qualquer momento que desejar, pois apenas com o movimento de um dedo tenho a possibilidade de ligar ou desligar meu computador.  
nina de lima
Enviado por nina de lima em 29/08/2006
Código do texto: T227647
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Sobre a autora
nina de lima
São Paulo - São Paulo - Brasil, 74 anos
35 textos (1536 leituras)
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nina de lima