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E L I T E

 

 
A língua portuguesa, adotada oficialmente no Brasil, é rica em verbetes e expressões que, se fosse realmente estudada e difundida entre o grande público, fundamentalmente através do hábito da leitura, muitos estrangeirismos teriam encontrado dificuldades para serem aceitos e  incorporados ao nosso idioma. O emprego de certas palavras, não raras vezes, têm um caráter deformado, e essa malformação, em muitos casos, sobrevem  da repetição sistemática e, por comodismo ou falta de reação, aplica-se um termo com um sentido, quando na realidade deveria ser utilizado outro.
Um imaginário bate-papo gauchesco poderia se dar assim:
- Mas ba, Tchê! Que bombacha lindaça!
- É, “ tô ” mal de bombacha uma barbaridade!
                    Na verdade, o segundo personagem estava com uma bombacha nova e bonita, mas a expressão “ mal uma barbaridade”,(no Rio Grande do Sul),em certas ocasiões, significa modéstia; dessa forma, ele realmente estava bem de bombacha.
Alguns políticos, notadamente em campanha eleitoral, quando se referem aos que detêm o poder de mando (políticos, empresários, chefes militares, etc.), utilizam o termo elite. – “A elite que aí está”!  - “Esta elite que não protege a Amazônia”!  -  “Esta elite que mantém o cartel dos alimentos”!   - “Esta elite que não faz a divisão justa das riquezas do Brasil”!  Prestando-se atenção, é possível se fazer uma analogia com a expressão “decoro parlamentar”; da tribuna um deputado (senador, vereador) agride a um seu par com um impropério, digamos: canalha!.  Esta desqualificação se vier antecedida da expressão “Vossa Excelência” faz com que o agressor não fira o chamado decoro parlamentar. O “Vossa Excelência” é a  proteção dos parlamentares. À lo largo, é a parte cínica da “coisa”. Da mesma forma, ao ser dita “A Elite Brasileira”, assim mesmo, com pompa, determinadas pessoas querem dizer mesmo é a escória da sociedade, utilizando a expressão elite como valhacouto, provavelmente para suas próprias fraquezas, numa disfarçada maneira de dizer: “Bem que eu gostaria de estar lá”.
O que há de melhor numa sociedade, o escol, o grupo de pessoas que ocupa um lugar eminente devido suas qualidades, essas deveriam ser as prerrogativas das pessoas com poder de mando. A pergunta é: estaríamos numa situação de miséria, numa quase calamidade pública na segurança, índices culturais lamentáveis, se realmente fôssemos governados pela Elite dos homens públicos?
Inegável é a existência de uma elite em qualquer grupo social. O difícil é saber separar o joio do trigo.  Ora direis, a elite...  Encontremo-la!
Cláudio Pinto de Sá
Enviado por Cláudio Pinto de Sá em 29/08/2006
Código do texto: T228334
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Sobre o autor
Cláudio Pinto de Sá
Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Brasil, 69 anos
163 textos (23331 leituras)
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Cláudio Pinto de Sá