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PARA NÃO DIZEREM QUE NÃO FALEI DE PAZ; VOU ASCENDER UMA VELA

Quando setembro do ano de 2007 chegar, Paris – a Cidade Luz, estará sediando o 1º  CONGRESSO MUNDIAL DE POESIA.  Será um evento magnífico, podem ficar certo.  Para nosso júbilo, o evento  contará  com a presença física e espiritual de amigos deste recanto poético que viajarão na nau “Ciranda da Paz”, capitaneada pela amiga DETH HAAK (a Poetisa dos Ventos).
Desde já, felicito aos navegantes na certeza de que nossa vã poesia será representada com brilhantismo e fervor pátrio.  A todos envio votos de  paz.

Devo informar, no entanto, que não embarcarei nessa imorredoura aventura.  Sou refém de minha desmedida ideologia.  Não acredito em paz e não tenho motivos para acreditar que o homem almeje paz celestial.  Basta olhar para o lado para atestarmos que semeamos e cultuamos o ódio, a segregação e a exclusão.  Por isso, não posso acreditar que alcançaremos a tão decantada paz. Não acredito em paz enquanto milhões de seres humanos vegetam em condições de submissão cultural, psicológica  e social.  Até quando vamos fingir nesse “faz de conta que não vi o que vi”. Não dá para não ver. Vivemos um flagelo universal.

De certo que fiquei tentado a todos informar da razão da minha recusava silenciosa.  Mas não quis desestimular amigos e companheiros da senda poética, pois bem sei, que navegar é preciso.
Se navegar é preciso, aqui estou para me redimir da falta de talento e da cômoda decisão de enfiar a cabeça no buraco da vaidade como se fosse uma avestruz.  A todos, em especial a amiga Poetisa Deth Haak,  peço perdão.

PARA NÃO DIZEREM QUE NÃO FALEI DE PAZ,  vou ascender uma vela. Mas não ascendo vela para as inumeráveis almas que foram ceifadas pelo genocídio humano ou catástrofes ambientais;  acendo uma vela para que ilumine o caminho daquelas almas que ainda estão por conhecer a luz da vida.

Para não dizerem que não falei de paz, vou ascender uma vela. Ascendo uma vela para todas as crianças e jovens que habitam todos quadrantes da terra.  Mas não ascendo para aquelas que já pereceram. Ascendo uma vela para aquelas e aqueles que perecerão nas guerras; que perecerão pela miséria;  que perecerão sob o jugo do submundo do crime; e para aquelas e aqueles que sob opressão da nossa hipocrisia, perecerão sem descortinar um futuro melhor.

Também ascendo uma vela para nossos anciãos, em especial, para aqueles que padecem ou  padecerão do descaso das autoridades constituídas. Ascendo uma vela para aqueles que padecem e padecerão pelo desrespeito dos mais jovens; que padecem e padecerão pela falta do afeto humano; que padecem e padeceram pelas doenças do nosso tempo e pela falta solidariedade entre si mesmos.

Ascendo uma vela para a imensa familia dos desportistas e artistas.  Ascendo uma vela esperançoso de que quebrem todos recordes, transponham todas barreiras, superem todos tabus, e façam por merecer o brilho de serem estrelas. Mas lanço uma advertencia: acautelem-se.  É preciso ter cautela para não sucumbir na mazela da vaidade e no asco da própria arrogância.

Ascendo uma vela para a  comunidade eclesiástica.  Ascendo uma gloriosa vela desejoso de que seus iluminados membros  acreditem e sigam os ensinamentos que impõem aos seus seguidores. Não será por demais desejar que vivam em perfeita comunhão com seu Deus; e que antes de condenar o homem comum, é preciso ter coragem para primeiro confessar seus pecados e fazer “mea culpa”.

Ascendo uma vela para nossos governantes (Presidentes, Reis, Ministros, Monarcas, Tiranos, e aos SENHORES DA GUERRA(se é que ainda não os temos). Só me resta exigir que cumpram suas promessas; que sintam na própria carne as agruras das suas desmedidas covardias; que respeitem e protejam a biodiversidade e o meio ambiente, e salve o planeta terra da devastação do próprio homem.
         
Peço licença para ascender uma vela aos POETAS, dentre os escritores, o mais sofrido.  E se também me for permitido suplicar; suplico aos Poetas que não permitam que a chama da poesia se apague, e que não caiam na tentação de serem Cronistas.
 
Ascendo uma vela, em especial, para mim mesmo; esse incauto e pequeno trovador. Teimo permanecer sem saber se devo acreditar no que digo e acredito.  Porém, tenho certeza: depois de duvidar de tudo que não disse e que não direi; cheguei a conclusão de que ninguém me dá ouvidos porque não dou ouvidos ao que não sei.
Antonio Virgilio Andrade
Enviado por Antonio Virgilio Andrade em 31/08/2006
Reeditado em 01/09/2006
Código do texto: T229704
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Sobre o autor
Antonio Virgilio Andrade
Riacho Fundo - Distrito Federal - Brasil
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