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PRA QUE SERVE A VIDA?


                                    “A vida não vale nada
                                do jeito que a vida vem...”


        E como é que a vida vem?  Aos poucos, como não poderia deixar de ser. Para ser degustada, também aos poucos, como um bom copo de vinho, relevem-me a pieguice metafórica. Viesse ela aos borbotões, sufocar-nos-ia. Morreríamos devido à ânsia de viver. Que paradoxo!

Entretanto, se a aceitarmos como ela é, pura e simplesmente, estaremos vivendo? Como disse o cantor, “somos nós que fazemos a vida...”. Recuso-me a prosseguir com seu belo texto, sob pena de me ver encurralado nos meandros poético-filosóficos do mesmo. Covarde que me reconheço, dou-me por satisfeito. Até porque a vida, obscura e imprevisível que é, mostra-se-nos extremamente traiçoeira. Que fique claro que a condição para que tal aconteça é nos atrevermos a defini-la. Ledo engano de quem afirma consegui-lo!

Dizem que o sofrimento purifica a alma. Todas as vezes que ouço tal citação, remeto-me aos tempos, que sempre pensei tão passados, da imposta ideologia católica, que pregava o culto à pobreza como forma de garantia de salvação post mortem. Se mantivermos tal postura, realmente viver não vale a pena, pois não teremos evoluído nada em relação a tão retrógado pensamento. O sofrimento faz parte da vida, mas não como forma de purificação. O que purifica a alma é a aprendizagem no tocante à forma de viver as alegrias e as intempéries, aprendendo com cada uma delas.

Buscar a felicidade não significa perseguir o riso constante, ininterrupto; mas inclui a leveza e suavidade do choro, do lamento. Os sentimentos, todos eles, têm um lugar em nossa vida. Nenhum se sobrepõe ao outro, vez que formam, no todo, nosso “eu”. Quantas vezes imergimos na tristeza e, inesperadamente, ressurgimos das cinzas, tão puros e suaves como dantes! Esta inconstância é típica dos seres humanos, não obstante não o seriam. Negá-la seria repudiar o óbvio. E tal não deve condizer com seres pensantes. Quiséramos viver em um mundo de prazeres, embora também não devamos provocar as misérias para ter o prazer de renascer. É masoquismo.

São tiradas pretensamente filosóficas, mas quem nunca falou, ou mesmo pensou, assim? Afinal, todos nós temos direito a quinze minutos, não de fama, como preconizou Andy Warhol, mas de bobeira, se não de simplicidade. Mas nunca de idiotice. Afinal, o “popular” da cultura é nada mais, nada menos que um adjetivo. E a roda da vida vai rodando...Ops!, como diria Bernardo Dania: mais uma!!! Mas se Chico pode, por que não eu?

Todo dia, o dia todo, pensamos bobagens, mas também temos momentos de verdadeira genialidade. Sim, genialidade. Pois, se nós não nos admirarmos, quem o fará por nós?  Precisamos deixar a hipocrisia de lado, nem que seja por um instante, e assumir nosso narcisismo. É bom que eu faça auto-críticas, mas, essencialmente, que eu me ame. Só assim cuidarei de mim e, em segundo plano, como possível conseqüência, agradarei aos outros. Que não são, nem nunca serão, mais que “os outros”.

Amargo? Cruel?  Se você vê assim... Eu diria: claro, autêntico, feliz e honesto. E como eu poderia mentir pra mim mesmo? De qualquer forma, seria muita pretensão, não só minha, mas de todo e qualquer outro, almejar agradar a todos. A um ou outro, quem sabe, talvez, oxalá... Ainda relembrando conversa com Bernardo Dania (desculpe-me a indiscrição) “a gente escreve o que pensa, aquilo de que gosta, para a gente”. (Desculpe se não foi ipsis litteris o que você disse, mas, se houve falha na transcrição, credite-a ao choque de ouvir verdades após verdades no citado, infelizmente, rápido bate-papo.)

Com a coragem em mim incutida pelos vários incentivadores (corajosos, eles!) ouso copiar Paulo Leminsky, adotando para mim, como se tivesse sido criado com este intuito, seu “Razão de Ser”:
“Escrevo. E pronto.
Escrevo porque preciso,
preciso porque estou tonto.
Ninguém tem nada com isso.
Escrevo porque amanhece,
E as estrelas lá no céu
lembram letras no papel,
quando o poema me anoitece.
A aranha tece teias.
O peixe beija e morde o que vê.
Eu escrevo apenas.
Tem que ter por quê?”

         Até a próxima, quando a coragem me atacar outra vez.
                                               
                                                 28/06/05






Pabinha
Enviado por Pabinha em 01/09/2006
Código do texto: T230004
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Sobre o autor
Pabinha
Belo Horizonte - Minas Gerais - Brasil, 51 anos
32 textos (4979 leituras)
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