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F A R D A E P A T E N T E

 
O Brasil importou da Inglaterra, quando do início do saneamento de água e esgoto, um tipo de caixa d’água, construída em ferro, para dar “descarga” no vaso sanitário, cuja marca era Patent. Esse nome ficou tão popularizado, e aportuguesado, que patente virou sinônimo de “W C”. As instituições militares são reconhecidas imediatamente quando um ou mais de seus componentes usam a chamada farda. Diz-se que quando um militar uniformizado é agredido, em verdade a agressão (não a física) foi ao Estado.  Isto posto, passo a relembrar dois episódios ocorridos no estádio Beira-Rio, do Esporte Clube Internacional, de Porto Alegre. I - Novembro de 2005, jogo entre Fluminense e Inter. Facínoras vestindo a camiseta do Inter e imiscuídos entre os torcedores, por alguma desavença injustificável, passaram a jogar pedras, paus e pedaços de ferro contra um grupo de soldados da Brigada Militar, que ali trabalhavam para “manter a ordem”. Fato amplamente divulgado, principalmente pela TV. II – Julho de 2006, jogo entre o Inter e o Grêmio, o Gre-Nal. Novamente facínoras, agora usando a camiseta do Grêmio e igualmente por motivos injustificáveis, colocaram fogo em alguns banheiros químicos, além de outras arbitrariedades. Resumo: no fato I, temos a agressão covarde contra um grupo de soldados fardados da Brigada Militar. No fato II, temos a queima de banheiros químicos, ou popularmente, “patente”. Para o incidente I, o Tribunal de Justiça Desportiva não aplicou nenhuma pena. Para o incidente II, o mesmo tribunal aplicou a pena de oito partidas fora dos seus domínios, para o Grêmio, e mais 200 mil de multa. Conclusão: é mais grave colocar fogo em patente do que apedrejar a polícia militar. Não há outra explicação. Os fatos (e a única punição) são verdadeiros. As ações deploráveis e inaceitáveis dos dois grupos de covardes meliantes são repulsivas. Mas como entender, ou aceitar calado, o julgamento dos dois episódios? Patente vale mais do que policial militar? É, realmente é muito estranho! Insisto: na ocorrência I o pundonor do Estado é que foi maculado. Todos nós fomos agredidos. Impressionou mais aos meritíssimos julgadores, e a muitos repórteres, o fogo à noite a queimar patentes químicas do que a vil agressão aos militares em serviço naquela tarde de 2005. Que barbaridade! Que distorção! E o pior de tudo é que as decisões dos magistrados estão na forma da lei. Na forma da lei! Fogo em patente = punição. “Porrada” em brigadiano = isenção. A cidadania ampla só pode ter uma palavra às duas agressões (I-física  II-material) com uma só punição: lamentável! Naqueles episódios, a farda valeu menos do que mera patentes químicas.
 
Cláudio Pinto de Sá
Enviado por Cláudio Pinto de Sá em 01/09/2006
Código do texto: T230059
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Sobre o autor
Cláudio Pinto de Sá
Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Brasil, 69 anos
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Cláudio Pinto de Sá