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TAL QUAL GREGÓRIO

     
                          “Perdão foi feito pra dar...”


       Eu não sei se mereço; só você pode me dizer. É claro que a gente sempre espera e julga que sim. Por mais que admitamos nossa culpa, pedimos que nos perdoem, que nos desculpem. Muitas vezes nem percebemos o que estamos fazendo; pedimos – principalmente as desculpas – por hábito. Perdão fica para algo que nos soa mais grave.  Nem tente nos explicar que “desculpar” significa “retirar a culpa”. Ora, ela sempre vai existir, é inerente ao fato. O que pode acontecer é ser irrelevada.

E ai de quem ousar negar-se a desculpar. É tachado de ignorante, mal educado, no mínimo vingativo. É quase impossível – mesmo cientes de nosso erro – considerar o lado de outrem, ponderar que o seu sentimento não é, e nem poderia ser, o mesmo nosso. Assim, é sua obrigação desculpar, perdoar. Senão o erro muda de sujeito. E é aí que cometemos outro erro. Mas nunca, de forma alguma, nos conscientizaremos deste. É um perdão prévio que nos concedemos. Pedi-lo é, nada mais, nada menos, que uma simples obrigação social. O popular “fazer média”, ou “marketing”, como está na moda.

Ainda assim, ouso perguntar se você me perdoa. E me julgo merecedor de tal agrado, senão não o pediria. “Errar é humano”, e prometo que também vou-me lembrar disto, se você errar, não me perdoando. Se minhas argumentações ainda não foram o suficiente, lembre-se de que a Bíblia Sagrada apregoa que se deve perdoar não sete, mas setenta vezes sete.  E é a primeira vez que te peço. Talvez seja outro erro meu, pois não sei quantas outras você já me terá agraciado com o mesmo, sem que eu me dê conta. Mas, egoísta que sou, vou continuar alegando desconhecimento do fato e, conseqüentemente, que meu saldo ainda está intacto. Não quero que isto soe como se eu quisesse usufruir do mesmo por inteiro, podendo magoar-te indefinidamente, mas sim que é muito importante para mim ter com você tal montante.

E não me diga que vai pensar. O amanhã pode ter o gosto amargo e melancólico do ontem. Não corramos este risco; seria fatal, pois o ontem nunca deve pautar o hoje nem o amanhã. Exceto se for para dele nos vangloriarmos. Porém, como já te disse, se você não me perdoar, eu te perdôo. Previamente. Não serei hipócrita para afirmar que tal declaração não pretende influir no seu veredicto. É claro que sim. Mas é apenas por justa causa. É-me imprescindível olhar clara, serena e confiantemente nos seus olhos, sem precisar piscar ou abaixar os meus.

Espero não precisar, mas não me envergonho de implorar, se necessário for. Confio, não na sua benevolência, pois não pleiteio gratidão, mas na sua sapiência para perceber que não estou requerendo a anulação de minha culpa, e sim o perdão pela mesma, que continuará existindo. Quero expiá-la, não anulá-la. Seria indigno de nós. Espero que isto pese em meu favor, pois creio ter deixado claro que me é imprescindível seu perdão.

É muito fácil pedir desculpas – perdão dói mais -, mas não quero ser colocado no rol daqueles que usam e abusam dessa faculdade inerente a todos. Quero soar como autêntico, honesto que sou para comigo mesmo e - por que não?, - conosco. Eu já me perdoei, o que é o primeiro passo, e julgo que isto vai influenciar na sua decisão.

Assim sendo, reitero meu apelo: perdoe-me, por favor, para que o instituto do perdão continue tendo sua existência entre os seres.
                                                 01/07/05

Pabinha
Enviado por Pabinha em 04/09/2006
Reeditado em 14/01/2007
Código do texto: T232273
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Sobre o autor
Pabinha
Belo Horizonte - Minas Gerais - Brasil, 51 anos
32 textos (4980 leituras)
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