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A POLÍTICA PRECISA FAZER COOPER

A política nos deixa confusos. Se fosse simples, não precisaríamos de analistas políticos. Se fosse mais simples, o Arnaldo Jabor voltaria a falar mais sobre cinema e o Boris Casoy nunca mais falaria: “Isso é uma vergonha!”
Mas, já que é assim, vou falar sobre política do meu ponto de vista, ou seja, do ponto de vista de quem não entende nada: o povão!
Por exemplo, estou com saudade do tempo do Collor. Estou com saudade da criatividade e do estilo anti-herói dos nossos velhos vilões da política brasileira. Os bandidos de hoje estão menos criativos. Ta fácil saber quem é quem. Não gosto do novo estilo Severino de ser. Se bem que, para nos divertir, temos o Lula.
No tempo do Collor tudo era mais collorido, mais divertido. Domingo de manhã era aquela comoção nacional, a formula 1 deixou de ser o programa favorito das manhãs de domingo. O cooper do fernandinho tinha cobertura nacional, ele fazia o gesto de paz e amor, dava um sorriso amarelo (aliás, verde a amarelo) e saia correndo como um louco, seguido por meia dúzia de puxa sacos e por um batalhão de repórteres da Globo. No Fantástico era aquela alegria ver o presidente disposto como um garoto de 5 anos que vai ao parque conduzido pela mão do pai. Por falar em pai, eu lembro que o adjetivo mais carinhoso que meu velho pai dizia ao Collor quando ele aparecia na TV era ‘ladrão’, ‘ordinário’, entre outros. Também pudera, por causa do Collor e de seu confisco monstruoso e insensível eu não ganhei entre outras coisas o meu tão sonhado vídeo game ATARI. Collor, safado!!
Mas o Collor não era tão ruim quanto parecia. Era pior. Ele era o exterminador de marajás, ele tinha o Rogério Magri no ministério que cuida de você, sim o ministério do trabalho... e como deu trabalho! O PC que nunca participou de um cooper de domingo sequer, se especializou em corridas e saiu correndo do país, deu no pé. A LBV então, nem se fala. Nossas pobres criancinhas ficaram sem leite em pó, a Legião da Boa Vontade virou uma baderna e a Zélia casou com o Chico Anísio! Isso não parece uma piada?
Mas tudo bem, esqueça o Collor, falemos do Maluf. Ele é meu preferido. É mais bem humorado, mais brincalhão que o Collor, hoje em dia ainda vive fazendo gracinha com a nossa cara. O Collor às vezes xingava repórter iniciante, alterava a voz quando era ‘apertado’, mas isso faz parte do seu folclore. É só pra desviar o foco. Já o Maluf, quando questionado sobre as suas supostas falcatruas, contas milionárias entre outras coisas ele diz: ‘Eu não sou o Maluf, eu sou o Salim”.... ahahaha, quase me desmancho de tanto rir. O que importa é que o Maluf rouba, mas faz. Olha o tamanho do minhocão que ele fez em São Paulo. Eu votaria no Maluf. Não entendo nada de política mesmo. Mas uma coisa é certa. Nunca votaria no Severino. Que sujeito sem graça. Com o Collor e o Maluf é outra história. Eles tem glamour, charme... eles até lembram o Don Vito Corleone, possuem (ou possuíam) classe, é tanta classe que agente quase se sente na Chicago nos anos 30.
Ladrão bom é aquele que rouba e esconde a mão. Ladrão bom usa e nomeia vários laranjas, tem conta corrente em paraísos fiscais no nome de parentes, ladrão que é ladrão sorri diante da pressão da imprensa. O Severino não! Como bom cangaceiro sem noção ele fecha a cara e diz que não tem vergonha de usar o meu dinheiro para dar emprego até pro cachorro dele. O único sentimento positivo que qualquer pessoa do bem pode ter em relação ao Severino Chique Chique é quando ele diz, com aqueles olhinhos de ladrão sincero: ‘Nenhum deputado pode ganhar essa miséria que é doze mil reais, onde já se viu’. Dá pena! Sinceramente, eu e você talvez fizéssemos a mesma coisa.
Mesmo assim, sinto pena por saber que este individuo foi reeleito pela terceira vez deputado federal. Pena por saber que com a desculpa de comprar mais ‘material de escritório’ houve um aumento de 25% na verba de gabinete de cada deputado. É, eu tenho pena do Severino. É muita ingenuidade num deputado só.
Ninguém é de todo ruim, ninguém ainda encarnou o capeta de vez, mas não dá pra engolir o mau humorado do Severino dizer que faz um favor ao país, ao povo e a mim com o meu próprio dinheiro quando emprega um filho dele. Tudo bem, ele moraliza aquela bagunça que é a casa do deputado às vezes.
Concluo dizendo que estou com saudade da época do cooper  e com saudade do otimismo dos bons tempos quando agente ainda podia sonhar com políticos que no fim das contas ia nos roubar da mesma forma, mas que tinham a dignidade de nos iludir primeiro.
Martins Filho
Enviado por Martins Filho em 09/06/2005
Reeditado em 09/06/2005
Código do texto: T23322
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Sobre o autor
Martins Filho
Caxias do Sul - Rio Grande do Sul - Brasil, 38 anos
52 textos (5954 leituras)
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Martins Filho