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Jurubeba, boa porque é combosta

Hoje é sexta feira. E sexta feira da festa do Divino Espírito Santo, em Poções. Hoje é o dia da chegada da Bandeira, o ponto maior da festa.

Como bom Poçõense, se não posso participar da chegada da Bandeira, não tem graça o resto da festa. Portanto, fico aqui com o meu teclado, uma dose de uísque e ouvindo música italiana, me lembrando de festas passadas.

Um mundo de lembranças: Seo João, o leiloeiro. O leilão com as galinhas debaixo da mesa. Os carneiros amarrados ao “pé da cajarana” (na verdade, do lado de fora do pavilhão). A quermesse. A roda gigante. A víspora. A pipoca com manteiga. O parque com a arca de Noé e tantas outras lembranças como a gloriosa filarmônica do mestre “tio Nadinho”  Fagundes.

Semana passada, conversando com meu pai, lembramos do leilão que entrou para a história da festa. O leilão da Jurubeba com bosta! Bosta? isso mesmo. Muitas ofertas para o leilão eram simples e boa parte delas era de bebidas quentes como Cinzano, licor, cachaça e a tão atual Jurubeba Composta Leão do Norte.

Naquela noite, Seo João, o leiloeiro, não pôde ir ao pavilhão, por problemas de saúde e havia a necessidade de se arranjar outra pessoa. Foi convocado outro leiloeiro, mas não tinha o traquejo de seo João para “cantar” o leilão. Depois de algum tempo, o leilão passou a ficar sem graça e ninguém queria arrematar nem mesmo galinha assada. Aí, entra meu pai em cena. Com aquele ar brincalhão e apenas com a intenção de ajudar o cara escolhido a descansar as cordas vocais, pois, literalmente, o leilão era no grito.

Meu pai apanhou uma garrafa de jurubeba, leu o rótulo e bradou: – Uma garrafa de jurubeba composta, quem dá mais? Essa seria a frase em legítimo português. Com sotaque italiano, carregado, ele não imaginava que as pessoas entenderiam de outra forma. Assim ficou a frase: - Una garafa de jurubeba combosta, qui dá mais?

Sucesso absoluto: jurubeba combosta (??). Não sobrou garrafa para ser leiloada. Foram mais de dez garrafas em poucos minutos a preços bastante altos que somaram uma boa quantia para a igreja.

Sem leilão, sem Seo João, sem filarmônica – estamos nos tornando um povo sem tradição!!!
Luiz Sangiovanni
Enviado por Luiz Sangiovanni em 05/09/2006
Reeditado em 30/06/2007
Código do texto: T233644
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Sobre o autor
Luiz Sangiovanni
Poções - Bahia - Brasil, 60 anos
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