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Dissociações

Há que se entender que a letra de um escritor não está vinculada a sua vida. Naturalmente que expressamos muitas verdades, mas não, necessariamente, tudo o que se escreve é verdade.  Na maioria das vezes é mentira. É folclore. Se você ler que alguém matou alguém o que você faz, manda prender? Quantos não avisam que vão cometer suicídio? Eles cometem? Bem, alguns até cometem, mas isso já é uma outra situação.

A letra, seja em verso ou em prosa, está para o escritor, assim como para o leitor. Quando o escritor usa sua pena, ele pode suscitar desejos, ira, amor, pode descrever situações pitorescas, hilárias, tornar-se um super-homem, tornar-se um assassino, tornar-se um garanhão. O leitor recebe aquilo e deduz, avalia, enaltece, critica, de acordo com sua vivência pessoal. Algo absurdamente inocente pode tomar frentes desagradáveis se quem lê identificar-se e situar-se naquela letra e, por alguma razão, entendê-la como ofensiva.

Está na palavra o sonho do escritor, seu talento para conduzir determinadas situações e, sem dúvida, ele expressa seu conhecimento pessoal misturado às suas letras. Traça todo um enredo que ele, previamente, idealizou e deslinda a sua narrativa com a trama que o mote sugere. Pode ir por caminhos sexuais, políticos, amorosos, de dor, sociais. Isso em situações catalogadas como contos, poesias dentre outros.

Ontem ainda, escrevia um e-mail para uma colega falando sobre isso. Um homem pode escrever palavras de baixo calão (ou, sem hipocrisia, a que está habituado a usar), pode contar o que fez na cama, pode falar qualquer assunto e ele é, tão somente um homem. Uma mulher, ao escrever, não obstante toda a liberdade que dizem ser igualitária, precisa tomar cuidado com as palavras. A maioria escreve de forma dissimulada, camuflada, não usam as palavras à disposição. Umas porque não gostam, outras porque temem a opinião pública. Poucas, pouquíssimas, se atrevem a usarem as palavras como são, sem metáforas ou firulas, nem anestesia. E essas, são as que não tendem à explicações do tipo que aquilo é só fantasia, que são sonhos, etc. Elas deixam a letra ao leitor, como deve ser feito, e isso é talento. Isso é coragem e deve ser admirado.

Portanto, caríssimos, é necessário que se saiba fazer a dissociação da letra com o indivíduo. Que se saiba que a letra está e sempre estará para o escritor em seu cunho pessoal e próprio, assim como, estará para o leitor a sua interpretação de acordo com o que a vida o dotou, porém, o julgamento é melhor deixar para Deus, que é a quem compete.
RRenee
Enviado por RRenee em 06/09/2006
Código do texto: T233959
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Sobre o autor
RRenee
Argentina
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