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Querido Futuro Amante!

Rosa Pena

 

Nem conheço você, porém já escolhi nossa música, aquela que um vai lembrar do outro em qualquer lugar. Latina, quem sabe o Iglesias, não só por ser quente, mas porque me emociona e você vai me emocionar demais. Será que prefere um sax bem sexy, daqueles de filme pornô, pra dar um ar de pecado bem safado? Ai, Nossa Senhora da Menopausa, por que me lembrei de charutos agora? Juntos, despiremos corpo, alma e preconceitos. Não existirá preocupação com cafonice, poderemos misturar calcinha vermelha com cueca verde, peixe com vinho tinto. Relaxados, livres e folgados, mas sem TV, tá? Nossas horas também foram escolhidas. Final da tarde esperando o sol se pôr e nós nos pondo um à mercê do outro, brincando de esconde-esconde com ele. Só saberemos a hora de partir com a chegada da lua, com sua beleza prateando o beijo com sabor:

— Não se vá!!!

Relógios e celulares, jamais. Nossa flor preferida? Imaginei a sempre-viva. Vive bem com sede e calor. Sempre sorrindo sem culpa de viver. Não faz parte da elite das flores. É safada. Nosso lugar? De frente pro mar, pois o seu cheiro se confundirá com o dele.

Delicioso cheiro de homem tem o mar! A bebida não precisa ser champanhe, pois o borbulhar fica pra nós. Cuba-libre? Cuba tem jeito de amante à moda antiga, quase passional. Fruta? Eu acho a manga insinuante. Comendo com a mão, chupando até o caroço. Não escolhi refeição, a ela não daremos atenção, fome se perde no tesão. Lençol branco sem outra estampa que não seja os nossos corpos. Banhos, muitos deles, mas toalha alguma. Sempre molhados de ternura. Não teremos crise com grana, com peso, com culpa, com filhos, com chefe, com @.com! Elas não cabem em nossa cama. Nada de conflitos ou queixumes. Isso fica para nossos companheiros de cartório.

Em nossa Shangri-La não existirá aposta ou penalidade. Só prêmio. Nós dois em primeiro lugar.

Eu tracei nosso roteiro quase inteiro em meus devaneios. Só não consegui traçar o princípio e o fim. Eles teimam em se confundir dentro de mim. Delírio nunca obedeceu a script.

Hora de tomar mais quarenta gotas de Novalgina. Maldita virose que peguei no ar-condicionado do supermercado, quando fui comprar a lasanha Sadia pro almoço do feriado. 
Minha sogra diz que não sei fazer massa caseira. E amanhã é dia de casa cheia. 




Livro UI!
Registrado na Biblioteca Nacional
Rosa Pena
Enviado por Rosa Pena em 06/09/2006
Reeditado em 12/04/2011
Código do texto: T234064
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
Rosa Pena
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil
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